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Decreto de Ratinho Junior trava repasses e põe convênios com prefeituras sob revisão a dois meses da troca de governo

O governo do Paraná colocou em revisão convênios já assinados com municípios, entidades públicas e organizações da sociedade civil. O Decreto nº 15.581, assinado pelo governador Ratinho Junior (PSD) na sexta-feira (30), determina a suspensão preventiva de repasses e transfere ao Comitê de Governança Fiscal (CGF) a decisão sobre manter, alterar, suspender ou encerrar cada acordo. O comitê é formado por representantes da Casa Civil, da Fazenda e do Planejamento. A medida vale desde a publicação e ocorre depois das eleições, há pouco mais de dois meses da posse do governador eleito Sergio Moro (PL), marcada para 6 de janeiro de 2027.

O que muda na prática

Enquanto o comitê não decide, os órgãos estaduais ficam impedidos de emitir ou reforçar empenhos, liberar parcelas e autorizar o início da execução dos projetos abrangidos, além de autorizações ligadas a licitações e homologações. Os acordos fechados nos últimos seis meses, com licitações pendentes, terão prioridade na análise. A tabela abaixo mostra quem entra e quem fica de fora da revisão.

Situação do convênioComo fica
Licitação ainda não homologadaEm revisão, com repasses suspensos
Sem licitação, mas com execução não iniciadaEm revisão, com repasses suspensos
Fechado nos últimos seis meses, com licitação pendenteEm revisão, com prioridade na análise
Obra com contrato firmado e execução regularNão é atingida
Convênios da Saúde (Sesa) e da Educação (Seed), incluindo fundosFora do decreto
Serviços essenciais, emergências e calamidadesPodem continuar, se o comitê autorizar a pedido fundamentado do órgão

O texto orienta as prefeituras a não homologarem licitações, assinarem contratos, emitirem ordens de serviço ou assumirem novas obrigações financeiras ligadas aos convênios durante a análise. Despesas assumidas depois da notificação correm por conta e risco do município e, se o convênio for alterado ou encerrado, não geram direito a ressarcimento do Estado.

Prazos e etapas

O decreto fixa prazos curtos para os órgãos estaduais, mas não estabelece data limite para o comitê concluir as análises.

EtapaPrazoResponsável
Notificar municípios e demais participantes, por meio eletrônico, sobre a reavaliação e a suspensão dos repasses2 dias úteis após a publicaçãoÓrgãos estaduais
Enviar ao comitê a lista de convênios sujeitos à revisão, com municípios, valores, fontes de recursos, empenhos e situação de cada projeto5 dias úteis após a publicaçãoÓrgãos estaduais
Decidir manter, alterar, suspender ou encerrar cada convênioSem prazo definidoComitê de Governança Fiscal
Cumprir a decisão, incluindo cancelamento de saldos de empenho e devolução de recursos5 dias úteis após a deliberaçãoÓrgãos estaduais

Números, histórico e a fala do governo

O decreto não informa quantos convênios serão atingidos, qual o valor envolvido nem quais municípios estão na lista. O contexto, segundo a Gazeta do Paraná, é uma sequência de questionamentos sobre os investimentos anunciados aos municípios, resumida a seguir.

IndicadorValor
Investimentos municipais anunciadoscerca de R$ 6,4 bilhões
Empenhados até junhoR$ 1,49 bilhão
Efetivamente pagos até junhoR$ 858 milhões
Prioridades canceladas pela Secretaria das Cidades445, estimadas em R$ 534 milhões
Prioridades suspensas304, de cerca de R$ 770 milhões
Convênios citados pelo governocerca de 4 mil

Antes do decreto, prefeituras haviam recebido prazo de 48 horas para informar o andamento de licitações, o que gerou preocupação entre prefeitos. Na terça-feira (3), o líder do governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri, rejeitou a ideia de corte generalizado e disse que o Executivo faz um levantamento minucioso do que é possível executar. Segundo ele, há municípios que não finalizaram projetos ou têm pendências próprias, e esses não terão os projetos levados adiante. Bakri afirmou que o processo não termina nesta semana, mas não apresentou nomes de municípios, quantidade de convênios nem valores.

Transição

A revisão acontece enquanto as equipes de Ratinho Junior e de Moro iniciaram oficialmente a transição, na quinta-feira (5), em Curitiba. O grupo do governador eleito passa a ter acesso a dados sobre finanças, contratos, programas e obras em andamento. Os municípios da região devem consultar as secretarias estaduais responsáveis para saber a situação de cada convênio e evitar assumir despesas antes de uma definição.

Lucas Oruam

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