A Superlive do Blog do Esmael reuniu nesta sexta-feira, 18 de setembro, jornalistas, analistas políticos e o presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, para confrontar os levantamentos da semana sobre o Governo e o Senado do Paraná.
O debate encontrou três pontos de tensão: a comunicação de Sandro Alex (PSD), a resistência eleitoral de Requião Filho (PDT) e a possibilidade matemática de Sergio Moro (PL) ultrapassar a metade dos votos válidos já no primeiro turno de 4 de outubro.
A bancada teve Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas; Cláudio Osti, do site Paçoca com Cebola, de Londrina; Cristina Esteche, do portal RSN, de Guarapuava; Ogarito Linhares, da Rádio Ilha do Mel FM, de Paranaguá; João Barbiero, do site D’Ponta e da TVCI, de Ponta Grossa; o professor Valdir Cruz; e Esmael Morais, do Blog do Esmael.
A divergência apareceu na resposta à pergunta principal. Há pesquisas que colocam Moro matematicamente acima da linha necessária para liquidar a eleição no primeiro turno e outra, a Paraná Pesquisas, que o deixa praticamente sobre essa linha. Pela regra eleitoral, governador precisa obter mais da metade dos votos válidos para vencer sem segundo turno.
O Paraná Pesquisas divulgado em 18 de setembro registrou Sergio Moro com 44,7%, Requião Filho com 23% e Sandro Alex com 19,7%. Luiz França (Missão) teve 0,7%; Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza) e Tayná Miessa (UP), 0,4% cada; Adriano Funileiro (PCO) e Samuel de Mattos (PSTU), 0,3% cada. Brancos e nulos somaram 5,8% e 4,8% não souberam responder. Foram ouvidos 1.280 eleitores entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O registro é PR-01022/2026.
A conta que incendiou a Superlive aparece quando são retirados brancos, nulos e indecisos da amostra e ficam apenas as respostas atribuídas aos candidatos. Os candidatos somam 89,5%. Dentro desse universo, Moro representa aproximadamente 49,9%, contra 50,1% de todos os adversários somados.
É uma conversão matemática da fotografia da pesquisa, não uma antecipação da apuração de 4 de outubro. Na urna, não haverá eleitor indeciso e a Justiça Eleitoral considera válidos os votos dados efetivamente aos candidatos, excluindo brancos e nulos.

Emoção é pra saber se vai haver ou não o segundo turno
Foi esse equilíbrio que levou Murilo Hidalgo a resumir a disputa como praticamente travada na linha divisória entre primeiro e segundo turno. Para o presidente do Paraná Pesquisas, os dados permitem as duas hipóteses.
A hipótese de definição no primeiro turno ganhou peso porque outros levantamentos divulgados em 17 de setembro atravessaram a barreira dos 50% quando os resultados são convertidos em votos válidos.
A AtlasIntel registrou Moro com 49,1%, Requião Filho com 28,2% e Sandro Alex com 18,6%. Considerando apenas os votos válidos na conversão divulgada a partir do levantamento, Moro chega a 50,7%, Requião Filho a 29,1% e Sandro a 19,2%. A pesquisa ouviu 1.794 eleitores entre 11 e 16 de setembro, tem margem de erro de dois pontos e registro PR-02671/2026.
A Neokemp trouxe Moro com 49,8%, Requião Filho com 24,5% e Sandro Alex com 19,4%. Na conversão apresentada pelo levantamento, Moro alcança 52,1% dos votos válidos. Foram entrevistados 2.016 eleitores em 266 municípios nos dias 15 e 16 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos.
Os três levantamentos usam metodologias, amostras e períodos de coleta diferentes. Não podem ser somados como se fossem uma única pesquisa. Juntos, porém, explicam o conflito discutido durante a Superlive: a possibilidade de primeiro turno existe nos números, mas não aparece com a mesma intensidade em todos os institutos.

Sandro Alex plastificado com Ratinho (filho e pai) e Greca e o calendário, aperta!
O consenso mais forte da Superlive não foi sobre quem vencerá a eleição. Foi sobre a dificuldade de Sandro Alex transformar a aprovação e a estrutura política do grupo de Ratinho Junior em intenção de voto própria.
Murilo Hidalgo foi direto ao afirmar que identifica um problema de comunicação na candidatura governista. Segundo ele, Sandro tem ao seu lado dois ativos eleitorais importantes, Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, mas ainda não conseguiu converter esse capital em musculatura própria.
“Ele precisa deixar de ser o candidato do Ratinho para ser o Sandro Alex”, afirmou Hidalgo durante a transmissão.
A avaliação foi compartilhada, com nuances, pelos demais integrantes da bancada. João Barbiero disse que a comunicação teria apresentado um candidato “plastificado”, excessivamente associado a obras físicas e distante da personalidade que ele conhece pessoalmente há décadas.
O professor Valdir Cruz apontou outro problema: a tentativa de disputar terreno ideológico ocupado por Moro, enquanto propostas estaduais e a própria identidade administrativa de Sandro ficariam em segundo plano.
Ogarito Linhares chegou a uma conclusão semelhante. Na avaliação dele, tentar demonstrar maior radicalismo à direita do que Moro tende a disputar justamente o eleitor mais difícil de deslocar.
Há um dado que impede uma leitura simplesmente negativa da campanha governista. No Paraná Pesquisas, Sandro passou de 17,5% no levantamento anterior para 19,7% em 18 de setembro. Moro variou de 45% para 44,7%, enquanto Requião Filho passou de 24% para 23%. As oscilações precisam ser consideradas à luz da margem de erro.
A questão debatida pela bancada foi outra: se o ritmo é suficiente diante do calendário.
Faltam pouco mais de duas semanas para o primeiro turno de 4 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu 25 de outubro para eventual segundo turno de governador e presidente.
Murilo Hidalgo sustentou que ainda há tempo porque a atenção do eleitor tende a aumentar na reta final. Para ele, porém, Sandro precisaria crescer principalmente sobre uma parcela do eleitorado atualmente inclinado a Moro, e não sobre a base mais consolidada de Requião Filho.
Essa interpretação reapareceu em diferentes intervenções.
Ogarito, Valdir Cruz, Cláudio Osti e Cristina Esteche identificaram no eleitorado de centro-direita menos ideologizado um espaço potencial de disputa para Sandro. A bancada considerou mais difícil retirar votos de Requião no primeiro turno.
A posição de Requião Filho produziu outra pergunta durante a transmissão: por que ele continua numericamente à frente de Sandro Alex em diferentes pesquisas apesar de enfrentar uma candidatura governista com maior estrutura política?

E Requião Filho se sustenta na segunda colocação?
Murilo Hidalgo classificou Requião como resistente. Na Paraná Pesquisas, ele registra 23%, diante de 19,7% de Sandro. Os dois estão tecnicamente empatados quando considerada a margem de erro de 2,8 pontos.
A bancada apontou vários elementos para explicar essa resistência.
Valdir Cruz destacou que Requião começou a corrida com uma identidade política conhecida e carrega um sobrenome presente há décadas na política paranaense. Cláudio Osti acrescentou que existe uma base identificada com a esquerda que dificilmente migraria para Moro ou Sandro no primeiro turno.
Cristina Esteche observou ainda que a aproximação da campanha de Requião Filho com Lula ajuda a organizar uma militância partidária que já possui estrutura de mobilização.
A conclusão possível é mais restrita que uma previsão eleitoral: Requião Filho conseguiu preservar um piso competitivo suficiente para manter aberta a disputa pela vaga em um eventual segundo turno.
Greca aparece pouco e Ratinho pai entra nas ruas
Outro ponto levantado foi o uso de Rafael Greca na campanha de Sandro Alex.
Cristina Esteche questionou por que o vice aparece menos do que seu potencial político permitiria. Para ela, o perfil mais expansivo de Greca poderia funcionar como contraponto à comunicação considerada excessivamente técnica de Sandro.
Ao mesmo tempo, Ratinho Junior se licenciou para participar diretamente da campanha e o apresentador Ratinho passou a acompanhar ações eleitorais do candidato governista.
A pergunta da Superlive foi objetiva: se a transferência de votos ainda não ocorreu na velocidade necessária, o reforço de Ratinho pai, Ratinho Junior, Greca, prefeitos e candidatos proporcionais conseguirá alterar a curva antes de 4 de outubro?
As pesquisas registram o estado atual da corrida. Não respondem antecipadamente a essa pergunta.

Senado vira a eleição dentro da eleição
Se a disputa pelo Palácio Iguaçu produziu divergência sobre primeiro ou segundo turno, a corrida pelas duas vagas do Senado gerou uma conclusão mais uniforme entre os participantes da Superlive: o cenário permanece amplamente aberto.
A Paraná Pesquisas colocou Deltan Dallagnol (Novo) com 31,6% e Alexandre Curi (Republicanos) com 30,4%, diferença de apenas 1,2 ponto percentual e, portanto, dentro da margem de erro. Filipe Barros (PL) aparece com 26,3% e Gleisi Hoffmann (PT), com 25,9%. Cristina Graeml (PSD) tem 14,8% e Dr. Rosinha (PT), 12,5%.
O eleitor paranaense poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado em 4 de outubro. As duas vagas são decididas no primeiro turno pela votação obtida pelos candidatos, sem segunda rodada para o cargo. A própria urna apresentará primeiro a vaga de senador e depois a segunda.
Isso muda a lógica da disputa.
Conclusão sobre dados e não sobre as urnas
A Superlive terminou com uma conclusão sobre os dados, não sobre as urnas.
Moro chega à reta final como líder nas pesquisas verificadas, e AtlasIntel e Neokemp apresentam conversões de votos válidos acima da linha necessária para uma definição no primeiro turno. A Paraná Pesquisas, porém, deixa essa conta praticamente dividida ao meio.
Requião Filho preserva competitividade na disputa pelo segundo lugar, enquanto Sandro Alex cresce na pesquisa Paraná, mas enfrenta, na percepção majoritária dos participantes da Superlive, um problema de identidade e comunicação.
No Senado, a proximidade entre os quatro primeiros nomes e a existência de dois votos por eleitor tornam a reta final ainda mais sensível a transferência de apoio, mobilização partidária e escolha do segundo voto.
As urnas de 4 de outubro resolverão o que nenhuma pesquisa pode antecipar como fato.
Elder Boff FE com Esmael Moraes






