Por Elder Boff*
Pesquisas podem até apresentar outros dados acerca da escolha do governador Ratinho Junior pelo deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, para ser a sua bala de prata na corrida ao Palácio Iguaçu. Aparentemente é festim.
Foi terrível a repercussão na Assembleia Legislativa, virou piada na oposição e o próprio não se ajuda, segundo analogia dos bastidores da política paranaense, nas suas incursões pela mídia.
É uma pré-candidatura natimorta. Ratinho vai ter que mudar se quiser (se quiser de verdade) ter uma possiblidade de enfrentamento.
O seu escolhido não ganha nem na sua terra: Ponta Grossa, domicílio eleitoral dele. O deputado estadual Marcelo Rangel, irmão de Alex, foi o terceiro colocado na eleição para prefeitura local.
Na própria eleição para deputado, dois anos antes, Sandro Alex fez apenas 17,28% dos votos. Foi o segundo colocado, muito atrás do primeiro, outro radialista (Sandro também é), Jocelito Canto, que fez quase o dobro, cerca de 30% da votação. Em números, Alex, 31.900, Jocelito, 55.600.
Está certo de que, cada eleição é uma eleição, a cada pleito, circunstâncias diferentes podem moldar o resultado.
Em Santa Helena, por exemplo, dificilmente um candidato a deputado federal vai fazer tanta votação quanto fez Sandro Alex, o lugar que ele teve mais votos proporcionalmente em todo o Paraná. Foram 37,5%, mais do que o dobro de sua terra, Ponta Grossa.
E Santa Helena parece que entraria de vez na rota das grandes obras do Paraná, com seu deputado campeão de votos, na Secretaria de Infraestrutura e Logística. Mas não, só maquiagem, só remendo em rodovias. Decepcionou muita gente, inclusive lideranças que o guindaram à condição de fenômeno eleitoral local, como o ex-prefeito Evandro Grade, o Zado.
Zado, enquanto prefeito e principalmente como presidente da Associação dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu, liderou junto com a iniciativa privada, a arrecadação de recursos para bancar um anteprojeto para terceiras pistas e outras obras necessárias para fazer fluir melhor o trânsito na microrregião.
Agora, no desespero eleitoral do governo atual, a trupe veio capitalizar pela enésima vez, com tom mais oficial, a autorização das obras. Antes tarde do que nunca. Mas fizeram sofrer muito a região com esta espera, que aliás, vai continuar, porque o máximo que poderá ser inaugurado este ano, são placas na beira das rodovias afetadas.
O anteprojeto para a construção de terceiras faixas nas rodovias PR-495 e PR-497, na região dos municípios lindeiros ao Lago de Itaipu (incluindo Santa Helena), foi entregue ao Governo do Paraná em março de 2025.
Perdeu-se muito tempo, inexplicavelmente. Quer me parecer que deveria ser questão de honra do secretário que campeão de votos de Santa Helena. Mas não foi e não consigo ver explicação para tanta demora.
Já achei um absurdo pedir para o empresariado e cooperativas para bancar os custos de R$ 1,78 milhão de um projeto com a desculpa de maior agilidade.
O valor foi arrecadado via doações de associações comerciais, empresas e cooperativas da região e formalizado através da Acimacar, Associação Empresarial de Marechal Rodon, pois seria mais difícil legalmente a canalização através dos Lindeiros que encabeçaram a inciativa.

Na hora da divulgação da notícia da vinda do governador para Santa Helena “entregar” o pacote de obras, a Assessoria, através da AEN, Agência Estadual de Notícias, conseguiu enervar todo o conjunto que arrecadou os recursos, fazendo constar equivocadamente para a Acimacar, (imagem acima) o mérito de tal intento.
O foco principal são as PR-495 e PR-497, conectando municípios como Marechal Cândido Rondon, São Miguel do Iguaçu, Missal e Medianeira, além de Santa Helena, que há muito, muito tempo deveria já ter estas melhorias, não somente os tapa-furos e intermináveis recapes.
O projeto prevê de 35 a 40 km de terceiras faixas inicialmente previstos, avançando para 45 km posteriormente.
Nem o asfalto de Santa Helena a Ramilândia foi concluído, em que pese as demandas judiciais e intempéries. Venceu o contrato com a construtora e o governo corre atrás para refazê-lo.
Em função de tudo isso, alguns prefeitos, vereadores e muitas lideranças políticas, empresariais e cooperativistas apostam num novo momento em relação à representatividade política da microrregião.
É inadmissível que, com o potencial econômico, social e com a densidade eleitoral para eleger representantes para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, continuemos sendo feudos de políticos de centros distantes — deputados estaduais e federais que são insuficientes em relação ao que seriam se fossem da base orgânica.

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra








