O governo petista é fruto das greves de outrora dos sindicatos de metalúrgicos da região do ABC paulista, efervescentes nos idos 1978 a 1980, cenário que projetou Luiz Inácio Lula da Silva nacionalmente.
Agora, há poucos dias de mais uma eleição presidencial, Lula enfrenta o desafio de resolver a causa operária dos ecetistas e economiários.
Municípios abrangidos pelos sindicatos de Cascavel e Foz do Iguaçu, a que pertence Santa Helena (que não aderiu até agora), foram afetados diretamente em função da rejeição das propostas apresentadas pelo banco e aderiram à paralisação por tempo indeterminado.
A greve por tempo indeterminado afeta os Correios e a Caixa Econômica Federal em todo o país, deixando agências fechadas e serviços afetados. As paralisações começaram de forma simultânea após as categorias rejeitarem as propostas de reajuste salarial e de benefícios.
O principal impasse de ambos os movimentos gira em torno dos planos de saúde corporativos, com trabalhadores contestando o aumento de taxas e mudanças nas regras de custeio. Na Caixa, a insatisfação com as novas diretrizes do Saúde Caixa travou o diálogo entre o banco e o sindicato.
Nos Correios, a disputa jurídica já começou e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) agendou o julgamento do dissídio coletivo para o próximo dia 21 de setembro. Até lá, a Justiça determinou que a estatal mantenha o percentual mínimo de 80% do efetivo em atividade normal.
O atendimento à população sofreu impactos imediatos, gerando longas filas e atrasos nas entregas de encomendas, além de deixar agências bancárias trancadas em várias cidades. Para mitigar o problema, os bancos e a empresa postal orientam os clientes a utilizarem os canais digitais e aplicativos.
Enquanto os ecetistas, como são chamados os funcionários dos Correios e Telégrafos*, aguardam a decisão judicial, os economiários (referência a funcionários da caixa) mantêm os piquetes, mas a Caixa aceitou reabrir a mesa de negociações para tentar um acordo rápido. O cenário segue indefinido e novos desdobramentos dependem do avanço das assembleias nesta semana.
Por que isso aumenta a pressão sobre Lula?
A questão política aparece porque as duas instituições são controladas pelo governo federal.
Isso não significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha determinado as greves ou seja diretamente responsável pelas decisões dos sindicatos. As paralisações resultam de negociações trabalhistas entre empregados, entidades sindicais e as empresas.
Mas, politicamente, o governo não consegue simplesmente ignorar o problema.
Os Correios enfrentam dificuldades financeiras justamente em um período no qual a empresa precisa recuperar sua capacidade operacional e melhorar seus resultados. Uma greve prolongada pode tornar esse desafio ainda maior.
Na Caixa, a situação é diferente, mas também envolve uma instituição estratégica para o governo e para a população.
Por isso, cada dia de paralisação aumenta a cobrança por uma solução.
*Apesar de estar em desuso, o nome “telégrafos” ainda faz parte da nomenclatura oficial dos Correios.
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Elder Boff FE com inf. G1 Economia, a Folha de S.Paulo e o InfoMoney.






