A crise financeira desencadeada pela liquidação do Ueno Bank atingiu o ápice institucional e transformou a política no Paraguai neste fim de semana.
Após a apresentação do pedido de renúncia do presidente Santiago Peña, a Câmara dos Deputados aprovou por 78 votos o avanço do libelo acusatório, recusando o arquivamento da matéria e enviando o processo de impeachment para julgamento no Senado, instância onde o ex-mandatário apresentará sua autodefesa antes da deliberação final sobre o mandato.
Na mesma sessão legislativa, os deputados rejeitaram a denúncia contra o vice-presidente Pedro Alliana por 48 votos a 30, preservando a linha de sucessão constitucional.
Com o arquivamento das acusações contra Alliana e a aceitação formal da vacância presidencial a ser confirmada pelo Congresso, o vice assume o comando do Poder Executivo para completar o período governamental, em uma tentativa das lideranças partidárias de restaurar a estabilidade e a previsibilidade democrática no país.
No âmbito econômico, o Banco Central do Paraguai (BCP) iniciou a execução do Fundo Garantidor de Depósitos para socorrer cerca de 3 milhões de correntistas afetados pelo colapso da instituição financeira.
A medida autorizou o reembolso prioritário de até 10 milhões de guaranis, algo em torno de 9.200 reais ao câmbio de hoje, sexta-feira (6), por cliente por meio de transferência automática para contas em outros bancos, visando conter as filas em agências e a mobilização de manifestantes no centro da capital, Assunção.
Paralelamente às negociações políticas no Parlamento, o Ministério Público paraguaio mantém os desdobramentos judiciais do caso, com a prisão preventiva mantida para oito executivos do banco e o bloqueio de bens do Grupo Vázquez.
As investigações apuram operações irrestritas de crédito cruzado e a concentração de aproximadamente US$ 850 milhões em fundos de pensão estatais na instituição antes da decretação de sua insolvência.
Elder Boff






