A ilusão da expansão acelerada sem sustentabilidade operacional colapsou. Varejistas históricas tentam estancar a queima de caixa encerrando milhares de postos de trabalho e recorrendo ao amparo do Judiciário:
A gestão da Casas Bahia oficializou o pedido de Recuperação Judicial (RJ) declarando um passivo de R$ 17,3 bilhões. O movimento veio acompanhado de uma reestruturação drástica: o encerramento de 298 lojas (quase 30% da sua rede) e a demissão de cerca de 3 mil funcionários.

(Tok & Stok de Curitiba, divulgação)
Outras empresas colapsando
Acumulando centenas de milhões em dívidas e fechamento sequencial de filiais, a Tok&Stok buscou refúgio na fusão com a rival Mobly para integrar operações e reduzir o custo fixo do setor de móveis e decoração.
A Polishop e a Marabraz recorreram à RJ sufocadas pela perda do acesso ao crédito. A Marisa fechou dezenas de pontos e enxugou operações na tentativa de renegociar débitos bancários sem falir.
O Grupo Americanas segue na lenta execução de seu plano de RJ pós-rombo contábil, enquanto marcas icônicas como Submarino e Shoptime foram absorvidas ou descontinuadas para cortar despesas.
O padrão é idêntico em todas as marcas: empresas engessadas por grandes redes físicas de lojas, custos pesados de aluguel e margens esmagadas pela concorrência direta com as plataformas chinesas (cross-border).
Onde o Governo tem responsabilidade direta e indireta
A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados para conter a inflação encarece o custo da dívida de empresas alavancadas e desestimula o consumo de bens duráveis (como eletrodomésticos e móveis), afetando varejistas tradicionais dependentes de crediário.
A complexidade do sistema tributário e a incerteza fiscal elevam o custo de capital e reduzem a capacidade das empresas de absorver margens menores.
Mas não é só na iniciativa privada, pois o rombo bilionário dos Correios, por exemplo, passa pela governança pública. Houve lentidão para promover o corte de custos operacionais e atraso na modernização tecnológica para competir no mercado de entregas urgentes, além de ingerências políticas e aumento do passivo trabalhista.
Elder Boff com inf. Revista Oeste/ 1, Valor Econômico, Exame, NeoFeed, VEJA e EBC/TV Brasil.







