Em editorial publicado nesta semana, a Gazeta do Povo criticou duramente uma declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante o Congresso Nacional de Direito Público, Controle Externo e Governança Pública, promovido pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP).
Segundo o veículo, Moraes iniciou a fala citando como exemplo os algoritmos que sugerem anúncios de roupas de determinada cor para o usuário, antes de partir para uma crítica mais dura aos influenciadores digitais e à forma como o público consome notícias pela internet. O ministro questionou o fato de que criadores de conteúdo sem formação jornalística conseguem alcançar mais audiência do que telejornais tradicionais, mesmo ao tratar de temas como política internacional e esportes sem, na visão dele, ter domínio aprofundado sobre os assuntos.
Moraes chegou a usar a expressão “lavagem cerebral” para descrever esse fenômeno, comparando a audiência de certos influenciadores à do Jornal Nacional. O ministro também mirou críticos do Judiciário, ao mencionar, segundo a Gazeta do Povo, “alguns que acordam e dormem só criticando o Poder Judiciário”.
De acordo com o editorial, o discurso do ministro constrói um “espantalho” para justificar a ideia de que a internet se tornou um perigo que precisa de controle. O texto reconhece que existem, de fato, criadores de conteúdo que falam sobre diversos assuntos sem o mesmo rigor do jornalismo profissional, mas argumenta que o descrédito da chamada “grande imprensa” tem outras causas, entre elas a atuação do próprio STF em episódios como o inquérito das fake news, aberto em 2019, e o conceito de “desordem informacional”, adotado por Moraes e outros ministros em 2022.
Para a Gazeta, a fala de Moraes representa uma postura autoritária e paternalista, que parte do pressuposto de que o cidadão não é capaz de distinguir verdade de mentira sozinho. O editorial defende que a democracia já dispõe de instrumentos legais para lidar com calúnia, difamação e desinformação, sem necessidade de um controle mais amplo sobre o discurso público.
A Gazeta do Povo conclui o texto afirmando que a recuperação da liberdade de expressão deve ser um tema central para o eleitor nas eleições de outubro.
Lucas Oruam/FE com informações são da Gazeta do Povo.






