Marli Schlindwein já gastou dois mil litros de diesel em dois dias sem energia, e teve que ir buscar mais
Marli Schlindwein sabe muito bem o que significa viver no limite da paciência e dos recursos financeiros. Viúva e moradora do distrito de Santa Clara, em São Roque, município de Santa Helena, ela enfrenta uma rotina que virou pesadelo para centenas de agricultores da região.
A falta constante de energia elétrica — seja por temporais ou mesmo em dias de céu limpo — transformou o fornecimento de luz em uma loteria perigosa.
Para quem trabalha com avicultura, como a dona Marli, viúva, a ausência de eletricidade é uma sentença de risco iminente e o jeito foi ter que comprar, tirando de suas poucas economias, dois mil litros de diesel que já estavam acabando desde terça-feira com o gerador a full.
Logo após entrar em contato com a redação do Fonte Extra, ele se dirigia a um posto de combustível, para comprar ainda mais, com os nervos à flor da pele, não só pelo prejuízo, mas pelos transtornos que são constantes.
O tempo só é feio de verdade para quem precisa tirar o pouco que tem do bolso para comprar diesel e manter o gerador funcionando ininterruptamente. O objetivo é um só: evitar que os frangos morram sufocados pelo calor e pela falta de ventilação mecânica nos aviários.
Essa realidade dramática escancara um abismo entre a vida no campo e os gabinetes do poder. O atual governo do Paraná, que continua sendo o maior acionista da Copel mesmo após a privatização, parece incapaz de enxergar o sofrimento de quem produz o alimento que chega à cidade. É um descaso que revolta, parecendo invisível até mesmo em épocas de campanha eleitoral, que dirá no restante do mandato.
O peso financeiro e emocional dessa negligência recai inteiramente sobre os ombros dos produtores. Enquanto as taxas chegam pontualmente, a energia oscila ou desaparece sem aviso prévio, obrigando famílias inteiras a arcarem com custos absurdos de combustível. O gerador, que deveria ser apenas um equipamento de emergência, virou a principal ferramenta de sobrevivência diária.
A revolta popular nas comunidades rurais de Santa Helena e de todo o oeste paranaense atinge níveis alarmantes. Os agricultores sentem-se abandonados pelas autoridades e pela concessionária, que tratam o fornecimento de energia como um favor e não como um serviço essencial garantido por lei.
A paciência do povo chegou ao limite diante de tantas promessas vazias e contas cada vez mais caras.
Diante desse cenário de descaso e prejuízos recorrentes, fica o questionamento sobre até quando o campo terá que pagar a conta da ineficiência do poder público.
Assista ao vídeo acima que acompanha esta matéria, conheça de perto a realidade de Marli e tire suas próprias conclusões sobre o futuro da nossa produção rural.
Elder Boff/Fonte Extra






