Uma dívida de R$ 255 mil, ligada ao desfazimento de um negócio imobiliário, está no centro do inquérito que a Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu sobre a morte de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Estado. O crime aconteceu em 5 de agosto de 2025, na zona rural do município.
Foram indiciados Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, todos da mesma família. Eles respondem por homicídio qualificado, por quatro vezes, ocultação de cadáver, também por quatro vezes, associação criminosa e fraude processual. Os quatro estão presos preventivamente.
As vítimas foram identificadas como Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Segundo as investigações, eles foram atraídos até uma propriedade rural para tratar da dívida, que era representada por dez notas promissórias.
De acordo com o delegado da PCPR Thiago Andrade Inácio, os quatro homens foram surpreendidos por uma emboscada e mortos a tiros de armas de diferentes calibres. Depois dos homicídios, os corpos e o veículo usado pelas vítimas teriam sido escondidos em compartimentos subterrâneos. A polícia também identificou ações para eliminar vestígios e atrapalhar o trabalho dos investigadores.
Segundo a Polícia Civil, as provas reunidas permitiram reconstruir a dinâmica dos crimes e apontar a participação de cada investigado. A apuração indica planejamento prévio, divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos.
Três dos indiciados foram presos em 18 de agosto de 2026, em cidades do interior de São Paulo, depois de levantamentos de inteligência da PCPR. O quarto já estava preso por tráfico de drogas e recebeu o mandado de prisão no sistema penitenciário. A investigação teve apoio da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Científica, da Polícia Penal e da Força Nacional de Segurança Pública.
Com o fim do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que vai analisar o caso. A polícia informou que as investigações continuam para apurar a participação de outras pessoas, incluindo suspeitos de envolvimento na execução, no apoio logístico e na ocultação de vestígios.
Em nota divulgada nesta terça-feira (27), a defesa dos indiciados, representada pelos advogados Renan Nogueira Farah e Jéter Lailton Ferreira Tovani, questionou a duração da investigação. Os advogados sustentam que a demora configurou constrangimento ilegal, principalmente com as prisões preventivas mantidas, e dizem que a complexidade do caso não afasta o direito a uma duração razoável da apuração.
A defesa afirmou que vai aguardar a manifestação do Ministério Público e um eventual oferecimento de denúncia, e que se pronunciará sobre as acusações no momento oportuno. Os advogados lembraram ainda que o indiciamento não representa reconhecimento de culpa e que a presunção de inocência dos investigados permanece válida.
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Lucas Oruam com inf. da PCPR






