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Governo brasileiro condena ataques que matou líder iraniano

Lula e Khamenei em foto de 2010. (Foto: Ricardo Stuckert)


Em janeiro, Lula também condenou ação que levou à prisão, ditador venezuelano


O governo do Brasil condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que acabaram culminando com a confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei.

A nota foi publicada pela Agência Brasil neste sábado (28). Nela, o Ministério das Relações Exteriores expressou grave preocupação com a situação e lembrou que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.

Para o Itamaraty, a negociação é o único caminho viável para a paz, “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.

Na quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos haviam retomado as negociações com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais afirmam que o programa visa a construção de armas nucleares. O Irã nega a acusação.


Maduro logo após ser pego (Reprodução)


Com Maduro foi igual

Por ocasião da captura do ditador venezuelano no inicio de janeiro deste ano, o presidente Lula se manifestou contrário, condenando a ação americana que prendeu Nicolas Maduro.

Sem citar diretamente os EUA, o presidente brasileiro disse que os bombardeios e a prisão de Maduro e sua esposa “ultrapassam uma linha inaceitável”.

“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte, prevalece sobre o multilateralismo”, declarou Lula numa publicação no X à época.

Ainda sobre Khamenei

O aiatolá é acusado de crimes contra a Humanidade e Repressão Interna. Ele teria orquestrado a repressão brutal de dissidentes e movimentos sociais no Irã.

Um relatório de uma missão de fatos da ONU em março de 2024 implicou Khamenei diretamente em crimes contra a humanidade devido à violência sistêmica, assassinatos, tortura e estupro de manifestantes após a morte de Mahsa Amini.

O regime é acusado internacionalmente de perseguir mulheres, criminalizar homossexuais e executar opositores políticos sem o devido processo legal.

No cenário internacional, Khamenei era apontado como o mentor intelectual e financeiro de grupos armados regionais. Em setembro de 2025, advogados enviaram uma queixa ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pedindo a investigação de Khamenei por cumplicidade em crimes de guerra e genocídio. A acusação sustenta que ele ordenou e financiou o fornecimento de armas ao Hamas para o ataque de 7 de outubro de 2023.

Khamenei também foi associado por investigações internacionais ao bombardeio do centro judeu AMIA na Argentina (1994) e a assassinatos de dissidentes na Alemanha (Mykonos, 1992).

Devido à sua retórica de incitação à violência e apoio a organizações militantes, grandes plataformas digitais como Instagram e Facebook baniram suas contas permanentemente sob políticas contra “organizações e indivíduos perigosos”.


Elder Boff com inf. Ag. Brasil (trecho sobre o Ministério das Relações Exteriores) e Wikipédia

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