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O Estelionato Tecnológico: Poderá o Brasil construir “Ferraris” para motoristas estrangeiros?

A Hive Digital Technologies lançou seu primeiro cluster de GPU de inteligência artificial (IA) no Paraguai, marcando uma mudança estratégica para utilizar sua infraestrutura hidrelétrica de 300MW proveniente de Itaipu para computação de alto desempenho (HPC), indo além da mineração de bitcoin.

Por Luciano Andrey Schadler*

Antes de tudo, convém esclarecer que desenvolver ciência com IA não se trata de usar grandes linguagens tais como Gemini, ChatGPT, grok, etc. e sim, IAs criadas especialmente para ciência.

O Brasil possui alguns supercomputadores em universidades. O discurso oficial geralmente é lindo, adornado com muitas promessas. Mas, como redator e alguém que vive a ciência dura, no código, eu lhes digo: todo cuidado é necessário uma vez que se trata de investimento com dinheiro público. O que o governo pode estar montando, não é um centro de excelência em ciência e muito menos em soberania; poderá ser um terminal de luxo para entregar nossa inteligência de bandeja para empresas estrangeiras.

O problema não é o “ferro”. Ter processadores de última geração e GPUs de ponta é o básico. O que poderá ser considerado “criminoso” reside na alma dessas máquinas.

Sem pessoal qualificado — e sejamos realistas, a nossa academia pode estar cheia de pesquisadores que, mesmo qualificados em suas respectivas áreas de atuação tenham pavor de Inteligência Artificial e, por isso possam tratar modelos de linguagem (quando voltadas ao desenvolvimento tecnológico ou desenvolvimento de novos conhecimentos) como “alucinação”.

Nesse caso, se usarem o hardware (geralmente assessorado por um expert em computação, mas desconhecedor de ciência), poderá acabar rodando via chaves API de empresas estrangeiras. Cada molécula simulada, cada hipótese gerada, cada bit de dado estratégico processado vai passar pelos servidores da Anthropic ou do Google antes de chegar ao pesquisador brasileiro.

Estamos pagando a conta da luz para que estrangeiros monitorem nossas patentes em tempo real. É um estelionato tecnológico travestido de progresso.

Enquanto alguns de nossos cientistas declaram guerra à IA para proteger seus cargos e suas teses lentas e medíocres, o mundo real gira em Temperatura Zero. A ciência de verdade hoje é autônoma. Eu mesmo provei isso: em vinte dias de desenvolvimento com a minha estrutura de agentes, a GeDy, alcancei resultados que laboratórios inteiros levam décadas para alcançarem um resultado aceitável (com equipes e recursos gigantescos.

Da minha parte, um setup de R$ 11.000,00, meu tempo e a conta da energia elétrica). A IA não é uma ferramenta de apoio… ela é o novo motor da produção de conhecimento. Nós somos a ferramenta de apoio. Lamento dizer, mas é isso, mas tudo que se afirmar em contrário, não passa de discurso de consolação.

Quem sou eu para debater e enfrentar gigantes da ciência e prêmios Nobel que afirmam o contrário? Sou Luciano Andrey Schadler e dedico 10 a 12 horas por dia, 7 dias por semana em aprendizado do IA. Sim, aprendizado porque tudo é absolutamente novo até mesmo para os criadores das LLM’s. Isso porque toda semana (talvez toda hora) alguém em alguma parte do mundo desenvolve um sistema que destrói qualquer possibilidade de encontrar a resposta, pois cria novas perguntas. E quem se recusa a aceitar isso será engolido.

Se o Brasil insiste em ser esse arcabouço burocrático, onde a inovação é asfixiada pelo medo do desemprego acadêmico, do desconhecido, do novo e do revolucionário, então o futuro não chegará como pode chegar em outros locais. O futuro está cruzando a ponte. Talvez o Paraguai tenha o que o Brasil desperdiça: Não apenas energia barata, abundante, mas possivelmente a ausência dessa casta de pesquisadores que travam qualquer revolução.

Imagine o cenário: O Paraguai decide que não vai perguntar a ninguém “o que acham da IA?”. Ele simplesmente monta o maior hub de processamento soberano da América Latina. Com a energia de Itaipu e uma infraestrutura blindada, o Paraguai pode hospedar os modelos que o Brasil tem medo de rodar. Um centro onde o dado é tratado de forma local, sem conexões internacionais, sem espionagem, sem “pedágio” de Big Techs.

Se o governo brasileiro continuar com essa mentalidade de colônia, o Paraguai tem a faca e o queijo na mão para se tornar a ditadura tecnológica — no sentido de comando e execução — que a ciência dura exige. Enquanto o Brasil discute “ética da alucinação”, o Paraguai pode estar processando as curas, os materiais e as armas do próximo século.

A soberania não se compra em licitação de hardware; se conquista com autonomia de processamento. Ou acordamos para a realidade de que o pesquisador humano é o gargalo, ou continuaremos sendo apenas os financiadores da inteligência alheia. Eu já escolhi meu lado: o da ciência que funciona, doa a quem doer.

Por que o Paraguai provavelmente aceitaria?

Diferente do Brasil, o Paraguai tem pressa para se industrializar e deixar de ser apenas um exportador de energia e commodities. Transformar “energia em inteligência” é o salto qualitativo que eles precisam. O governo paraguaio tem um histórico de ser muito mais pragmático e menos “burocrático-acadêmico” que o brasileiro.



*Luciano Andrey Schädler, engenheiro civil, perito de engenharia, cinco pós-graduações, desenvolvedor de IA, entusiasta de desenvolvimento tecnológico e ciência. Promove palestras gratuitas. Contato (lucianoschadler44@gmail.com)

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