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O fim do refúgio: Prisão de feminicida no Paraguai após 30 anos marca nova era de cooperação

(Reprodução)

A captura de Marcos Panissa nesta quarta-feira (15), em Assunção, não é apenas o desfecho de um dos casos de feminicídio mais brutais da história do Paraná; é um recado claro de que o Paraguai deixou de ser um porto seguro para criminosos brasileiros que tentam escapar da justiça. Após mais de três décadas foragido, o homem que assassinou a ex-esposa com 72 facadas em Londrina foi finalmente localizado e preso, graças a uma operação conjunta que simboliza o fim da impunidade na fronteira.

O crime que chocou o Brasil

Em 6 de agosto de 1989, Marcos Panissa, então com 23 anos, invadiu o apartamento de sua ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, de apenas 21 anos, no centro de Londrina. Por não aceitar o fim do relacionamento, ele desferiu 72 golpes de faca contra a jovem, em um crime que teve repercussão nacional pela sua crueldade. O casal tinha uma filha pequena na época.

Panissa foi condenado em 1991, mas fugiu em 1995 antes de cumprir a pena integral. Desde então, viveu na clandestinidade, acreditando que o tempo e a fronteira seriam seus aliados. O crime estava prestes a prescrever em 2028, o que tornava sua captura uma corrida contra o relógio para as autoridades brasileiras.  

Operação Memento Mei: “Lembre-se de Mim”

A prisão foi o resultado da Operação Memento Mei (do latim, “lembre-se de mim”), uma ação coordenada entre o Ministério Público do Paraná, a Polícia Federal, as polícias militares do Paraná e de São Paulo, e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD). A escolha do nome da operação é uma homenagem à memória de Fernanda e de todas as vítimas de feminicídio, reforçando que o Estado não esquece seus crimes.

(Reprodução)

Paraguai: De abrigo a parceiro na Justiça

Historicamente, a fronteira entre Brasil e Paraguai foi vista por muitos criminosos como uma zona de sombra onde era possível desaparecer. No entanto, a realidade atual é de uma integração sem precedentes entre as forças de segurança dos dois países. A prisão de Panissa em plena capital paraguaia demonstra que a cooperação técnica e o compartilhamento de inteligência tornaram o país vizinho um ambiente hostil para foragidos.

“O Paraguai não pode mais ser abrigo de assassinos brasileiros. A era em que bastava cruzar a ponte para se livrar da conta com a justiça chegou ao fim. A integração entre as polícias e o uso de tecnologia de monitoramento fecharam o cerco contra a impunidade,” afirmam especialistas em segurança pública da região.

Marcos Panissa será entregue às autoridades brasileiras na fronteira e encaminhado ao sistema prisional para iniciar o cumprimento de sua pena de 19 anos e seis meses. Para a família de Fernanda e para a sociedade paranaense, a prisão representa mais do que o cumprimento de um mandado; é a prova de que, embora tardia, a justiça é implacável.




Fonte Extra com F.E.I.A. e Gazeta do Paraná/G1

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