Por Elder Boff*
Hoje comemoro com minha mãe e toda a família, 110 anos de João Giacomelli, o nono Joanin. Se vivo, estaria de aniversario, nascido a 3 de março de 1916.
Faleceu há quase 20 anos ao meu lado, deitado no leito de um hospital, lugar que raramente frequentou durante a sua vida. Rezava sempre a Deus, pedindo que o dia que fosse chamado, o fosse rapidamente, sem sofrimento.
Assim se fez. Foram atendidas suas preces, sendo que ficou de cama, mais ou menos três meses apenas. Outro detalhe interessante, durante sua última semana de vida, ainda quando conversava, deveria ser uma segunda ou terça-feira, me disse que Deus iria lhe chamar no final de semana e daí ficaria mais acessível para a sua comunidade do bairro (São Sebastião, também conhecido como “14” em São Miguel do Oestes, SC) participar dos atos fúnebres (em outras palavras, claro).
Dito e feito: faleceu num sábado, por volta de 9h da manhã e junto com o culto dominical, foi encomendada sua alma, e o nono materno, que também era meu padrinho de batismo, foi sepultado no domingo, ainda antes do meio-dia.
Que saudade deste homem que nunca dirigiu um carro, uma moto, nem uma bicicleta. Foi tropeiro dos idos tempos no Rio Grande, fazendo no lombo de mulas e cavalos, o transporte da produção de Osório para Caxias do Sul, voltando com suprimentos nas intermináveis tropeadas.
Depois da era da montaria, fez a pé todos os seus compromissos durante a vida toda. Que homem, que exemplo!

Ilustração de Tropeiros Gaúchos (MTG/MT)

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra







