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Operação da PF sobre o filme ‘Dark Horse’ reacende crise e Flávio Bolsonaro acusa interferência política

Karina Gama, produtora do filme ‘Dark Horse’, e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

A investigação em torno do financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, teve novos desdobramentos operacionais e jurídicos conduzidos pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso apura supostos esquemas ilícitos divididos em duas frentes: o envio de repasses privados solicitados a empresários e a suspeita de desvio de verbas públicas por meio de emendas parlamentares destinadas a produtoras e entidades ligadas ao projeto audiovisual. Karina Gama, produtora do filme e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10).

Do lado da verba privada, o inquérito conduzido sob a relatoria do ministro André Mendonça investiga as conexões financeiras entre a produtora e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (do Banco Master). A apuração ganhou força com revelações de mensagens que indicam intermédios diretos e pedidos de recursos, além do recente fechamento e validação da delação premiada de um empresário envolvido nos repasses.

Paralelamente, a frente sob relatoria do ministro Flávio Dino autorizou operações de busca e apreensão direcionadas à utilização de emendas parlamentares. Agentes da PF miram alvos como o deputado Mario Frias por suspeita de repasse de verbas públicas a entidades parceiras do filme, investigando crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental e organização criminosa.

Os principais veículos de imprensa destacam o forte impacto político do caso. A Folha de S.Paulo e O Globo apontaram que as revelações colocaram a produção no centro da disputa das eleições presidenciais de 2026, com desdobramentos acompanhados de perto pelos comitês de campanha. Já a Jovem Pan ponderou que decisões recentes da corte que citam o filme não apontam nominalmente o senador nem o ex-presidente como investigados diretos em despachos de apreensão.

Em pronunciamento feito durante agenda de campanha em Boa Vista (RR), Flávio Bolsonaro renegou veementemente as acusações e criticou a ação da Polícia Federal autorizada por Dino. O candidato afirmou que o filme não possui “um centavo de dinheiro público” e classificou a operação como “tentativa de interferência política”, alegando que a ofensiva ocorreu após sua candidatura crescer nas pesquisas de intenção de voto.

As informações sobre o caso fundamentam-se em inquéritos e despachos dos ministros André Mendonça e Flávio Dino no STF, em relatórios do Coaf e da Polícia Federal, e em reportagens investigativas de veículos como Revista piauí, G1, Folha de S.Paulo e VEJA. Complementam esse cenário as declarações públicas de Flávio Bolsonaro e de parlamentares citados nas apurações.


Elder Boff/FE

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