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Pesquisa científica chancela a extraordinária mediunidade de Chico Xavier

Por Caio Gottlieb*

Há homens que passam pelo mundo e deixam rastros que o tempo não consegue apagar. Chico Xavier foi um deles. Morreu em 2002, aos 92 anos, e vinte e quatro anos depois continua fazendo o que fez em vida: desconcertar.

Se vivo fosse, completaria 116 anos nesta quinta-feira, 2 de abril. Nasceu em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 1910, numa família pobre. Aos 17 anos já participava de sessões espíritas e já chamava a atenção.

Ao longo de décadas, psicografou 439 livros publicados em vida — ao menos outros 98 vieram post-mortem —, conduziu milhares de sessões mediúnicas marcadas por relatos que desafiavam qualquer explicação convencional, e ergueu em Uberaba uma obra filantrópica silenciosa e monumental, recebendo multidões sem jamais cobrar um centavo. O Brasil ainda há de reconhecê-lo na dimensão que merece. E a ciência, aparentemente, já começou.

A revista científica internacional Explore — publicação indexada, revisada por pares, dedicada à investigação de fenômenos na fronteira entre saúde, consciência e espiritualidade — acaba de publicar um artigo inédito que submete ao rigor acadêmico uma única sessão mediúnica de Chico Xavier. Uma entre milhares.

O trabalho é assinado por pesquisadores de Portugal e do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora: Carlos Miguel Pereira, Alexandre Caroli Rocha, Jorge Gomes, José Lucas, Júlio Silva e Alexander Moreira-Almeida.

O título do artigo: “Análise da Ocorrência de Recepção Anômala de Informação Mediúnica: O Caso de Chico Xavier e Isidoro Santos”. Não se trata de relato de fé, de tradição oral, de lenda transmitida entre gerações. Trata-se de ciência debruçada sobre uma fita de áudio de 54 minutos, gravada em 3 de junho de 1955, na própria Pedro Leopoldo.

O visitante daquela noite era Isidoro Duarte Santos, fundador da revista Estudos Psíquicos e presidente da Federação Espírita Portuguesa — um homem que atravessou o Atlântico para conhecer o médium brasileiro de quem tanto ouvira falar. O que aconteceu naqueles 54 minutos está registrado na gravação e foi agora dissecado pelos pesquisadores.

Chico psicografou dois poemas atribuídos a poetas portugueses mortos havia mais de meio século — Antero de Quental e João de Deus —, uma carta atribuída ao espírito de Lia, a primeira esposa falecida de Isidoro, e passou a descrever, uma após outra, dezoito pessoas falecidas, a maioria do círculo pessoal do visitante.

Detalhava características físicas, traços de comportamento, episódios que haviam acontecido na vida de cada uma delas. No fundo da gravação, é possível ouvir a voz de Isidoro confirmando as descrições à medida que elas surgiam.

Os números que emergiram da análise são o coração do artigo — e são desconcertantes. Os pesquisadores identificaram 65 itens verificáveis de informação ao longo da gravação. Desses, 87,7% foram classificados como corretos. Apenas 3% como incorretos. E em 30,8% dos casos, o estudo avaliou ser improvável que Chico tivesse obtido aquelas informações por meios convencionais — conversas com outras pessoas, pesquisas em livros ou documentos.

“Fizemos um grande levantamento. Investigamos publicações portuguesas e brasileiras da época, a possibilidade do Chico ter acesso às informações, quais estavam disponíveis e quais não estavam”, explica Alexander Moreira-Almeida, diretor do NUPES, em reportagem publicada pelo jornal O Globo. Eram informações muito específicas da vida das pessoas descritas, de regiões de Portugal pouco conhecidas, todas conectadas ao visitante.

A hipótese de que Chico pudesse ter feito um levantamento prévio para ludibriar o público esbarra na natureza mesma dos dados: detalhes íntimos, geográficos, familiares, de um universo português ao qual o médium mineiro simplesmente não tinha acesso.

A carta psicografada para Isidoro, atribuída ao espírito de Lia, focava no incentivo à continuidade do trabalho espírita. O único elemento verificável era a assinatura. Os pesquisadores não conseguiram acessar os manuscritos originais para comparação direta, mas Isidoro reconheceu a assinatura de sua esposa e identificou o estilo do texto.

Já os dois sonetos psicografados apresentavam características muito específicas de estilo e métrica dos poetas a quem foram atribuídos — um deles foi escrito em português arcaico. São camadas de complexidade que tornam a explicação por fraude ou coincidência não apenas improvável, mas quase absurda.

O artigo, com a honestidade que se espera de trabalho científico sério, reconhece que uma meta-análise de estudos controlados recentes concluiu que, na maioria dos casos, médiuns conseguiram fornecer informações precisas sem meios convencionais, embora nem sempre a precisão tenha superado o acaso.

A interpretação dos próprios pesquisadores é reveladora: médiuns verdadeiramente talentosos são raros, e aqueles que conseguem manter consistentemente alta precisão sob controles científicos são mais raros ainda.

Chico Xavier, observa Moreira-Almeida, está sem dúvida entre os médiuns que produziram a maior diversidade de fenômenos estudados — e para os quais é muito difícil encontrar explicações convencionais que deem conta do conjunto de evidências. Para o psiquiatra, o resultado é mais um conjunto de evidências sobre a possibilidade da sobrevivência da consciência mesmo após a morte.

E aqui reside o que torna esta pesquisa ainda mais extraordinária: ela se debruçou sobre uma única sessão. Uma gravação de 54 minutos. Um encontro entre um médium e um visitante.

Chico Xavier conduziu milhares de sessões ao longo de uma vida inteira dedicada à mediunidade e à caridade. Psicografou centenas de livros em estilos literários distintos, atribuídos a autores diferentes, com coerência estilística que intriga pesquisadores até hoje.

Se uma única sessão, submetida ao crivo da ciência, produziu 88% de precisão e deixou os pesquisadores sem explicação convencional para quase um terço das informações, o que revelaria a análise sistemática das milhares restantes?

Para os adeptos do kardecismo, a pesquisa publicada na Explore confirma, com chancela científica, aquilo em que sempre acreditaram. Para os céticos, oferece, no mínimo, matéria para uma reflexão que não pode ser descartada com um aceno de mão.

E para todos — crentes, descrentes, curiosos — resta a figura daquele homem simples de Pedro Leopoldo que dedicou a vida a receber mensagens que não sabia explicar e a ajudar quem o procurava sem pedir nada em troca.

Há mais coisas entre o céu e a terra, escreveu Shakespeare pela boca de Hamlet, do que supõe a nossa vã filosofia.

Quatro séculos depois, diante de uma fita de áudio gravada em Minas Gerais, a frase continua esperando resposta.




*Caio Gottlieb: Jornalista e publicitário, fundador e diretor da Agência Caio. Apresentador do programa Conexão Tarobá, na TV Tarobá (afiliada Bandeirantes). Um espaço de opinião, bastidores e análise sem filtro.

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