Edit Template

Pets sem limites, conflitos sem fim

Por André Becker*

Até que ponto o amor pelos animais pode se transformar em problema para os outros?
A pergunta pode parecer incômoda, mas episódios recentes mostram que ela precisa ser feita com seriedade.

Os animais de estimação ocupam hoje um espaço cada vez maior dentro das famílias. Para muitos, são tratados quase como filhos. O carinho pelos animais é algo nobre e revela sensibilidade. No entanto, junto com o afeto vem um dever que nem sempre recebe a mesma atenção: a responsabilidade pelos atos desses animais.

Recentemente vivi um episódio que ilustra bem esse problema. Um gato entrou no meu quintal e matou meu coelho de estimação. Para alguns pode parecer um fato pequeno. Mas quem cria um animal com cuidado e afeto sabe que não se trata de uma perda insignificante. Há um vínculo emocional que pode ser muito forte.

O episódio levanta uma pergunta simples: quem responde quando o animal de alguém invade a propriedade alheia e causa dano?

A legislação brasileira tem resposta clara. O artigo 936 do Código Civil estabelece que o dono ou detentor do animal responde pelos prejuízos causados por ele, salvo se provar culpa da vítima ou força maior. Em outras palavras, quem decide ter um animal assume também o dever de impedir que ele cause dano a terceiros.

Mas o problema vai além da lei.

Animais domésticos soltos pelas ruas ou circulando livremente pelos quintais dos vizinhos frequentemente provocam conflitos. Atacam pequenas criações, espalham lixo, brigam com outros animais e, em alguns casos, causam acidentes de trânsito.

Motociclistas que caem ao tentar desviar de cães soltos são uma realidade cada vez mais comum nas cidades brasileiras. As consequências vão desde ferimentos até fraturas graves, afastamento do trabalho e despesas para o sistema público de saúde. No fim das contas, toda a sociedade acaba pagando a conta da negligência de poucos.

Ao mesmo tempo, vi recentemente nas redes sociais um episódio que mostra o outro lado dessa tensão. O gato de uma pessoa apareceu morto após ter sido envenenado com “chumbinho”. Tudo indica que o animal estava solto na rua e costumava invadir quintais.

É preciso dizer com clareza: envenenar animais é crime e um ato cruel. Nada justifica esse tipo de violência.

Mas ignorar as causas desses conflitos também não resolve o problema.

Quando animais circulam sem qualquer controle, invadindo propriedades e causando prejuízos, cria-se um ambiente de irritação entre vizinhos. Alguns toleram, outros reclamam, e infelizmente há quem reaja da pior maneira possível.

A pergunta que precisa ser feita é direta: desde quando o quintal do vizinho virou extensão do espaço do meu animal?

Ter um pet é uma escolha legítima e muitas vezes benéfica para as famílias. No entanto, amor sem responsabilidade não é virtude — é descuido.

A própria Palavra de Deus ensina que o ser humano recebeu a responsabilidade de cuidar da criação. No livro do Gênesis, Deus confia ao homem o cuidado sobre os animais e sobre a terra. Esse cuidado não significa abandono nem permissividade, mas administração responsável.

O livro de Provérbios 12:10 ensina: “O justo atenta para a vida dos seus animais.” Cuidar significa proteger, alimentar e também impedir que o animal cause prejuízo ou sofrimento a outros.

Hoje parece crescer uma cultura onde se exige sensibilidade e direitos, mas se rejeitam deveres e limites. O resultado é previsível: conflitos entre vizinhos, acidentes evitáveis e episódios de crueldade que poderiam nunca ter acontecido.

No fundo, o problema raramente está nos animais, que apenas seguem seu instinto.

O problema está na negligência humana.

Porque quando um animal invade quintais, mata outras criações ou provoca acidentes, ele apenas está sendo animal.

Quem deveria ter limites é o dono.

E quando os donos deixam de assumir sua responsabilidade, os conflitos deixam de ser exceção — e passam a ser inevitáveis…



* André Lino Becker: Cidadão santa-helenense, defensor da fé cristã, da família e da sobriedade como caminho de restauração pessoal e social. Atuou como professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.

Compartilhar:

Notícias Relacionadas

  • All Post
  • Saúde e Bem-Estar
Edit Template

© 2024 Todos os Direitos Reservados a FONTE EXTRA
Desenvolvido com o por VRCLIC – Soluções Digitais 

Pressione ESC para sair

Temos um número de máximo de 30 caracteres para cada busca.