Um investimento de peso está ganhando forma no distrito de Moreninha, em Santa Helena. O produtor João Milan, que mantém propriedade no município há 29 anos e é eleitor da própria comunidade, está construindo uma nova estrutura de suinocultura com capacidade para cerca de 5 mil animais, unindo produção em larga escala a um projeto ambiental planejado nos mínimos detalhes.
Confira a entrevista abaixo:
Natural de Foz do Iguaçu, onde ainda reside, João contou ao Jornal Correio do Lago que a decisão de entrar na suinocultura nasceu da necessidade de diversificar a produção e a renda da propriedade, hoje concentrada em soja e milho. Os dejetos gerados pela criação serão reaproveitados como adubo nas próprias lavouras, fechando o ciclo produtivo dentro da fazenda. A obra prevê três barracões de terminação, cada um com 10,5 metros de largura e 200 metros de comprimento.
A experiência não é novidade para o produtor: em Diamante do Oeste, ele já mantém um núcleo de creche na mesma categoria, com sistema próprio de captação de água da chuva, e convidou o jornal a conhecer a estrutura de perto.
“Não é para fazer festa, é para investir”
João destacou o papel do Programa Desenvolve Agro, da Prefeitura de Santa Helena, que subsidia parte dos juros do financiamento em parceria com a cooperativa Lar, responsável por mais 3% de apoio. Segundo ele, esse suporte tem sido decisivo diante do cenário atual de juros altos no país.
“Isso vem ajudar os produtores e criadores que queiram trabalhar realmente. Isso aqui não é para fazer festa, é para investir”, afirmou. Ele comparou a realidade de Santa Helena com a de Foz do Iguaçu, onde, segundo ele, não existe um programa semelhante voltado à agricultura. “Aqui é a favor. As máquinas vêm para nos ajudar, para quem quer trabalhar e fazer a coisa correta”, disse, referindo-se ao apoio recebido no município.
O produtor também mencionou o financiamento viabilizado com apoio da Sicredi e agradeceu publicamente ao prefeito e aos vereadores pela iniciativa do programa.
Prefeitura participa até da estruturação da área
Além do auxílio ao financiamento, João revelou que o município está envolvido diretamente na preparação do terreno. Serviços como terraplanagem, construção das esterqueiras e pavimentação estão sendo executados com apoio das secretarias municipais de Agricultura e Obras, um suporte que, segundo ele, faz diferença para quem decide investir e permanecer produzindo na região.
Água da chuva e arborização puxam o projeto ambiental
O diferencial ambiental do empreendimento chama atenção à primeira vista. João planeja instalar entre 20 e 24 caixas d’água de 20 mil litros cada, bem acima do padrão do setor, que costuma usar uma ou duas caixas por barracão, para captar a água que cai sobre o telhado das instalações. O volume será usado na limpeza dos chiqueirões, e eventuais sobras serão direcionadas ao sistema de esterqueiras.
O entorno da granja também vai receber plátanos, árvores escolhidas por resistirem bem ao inverno e ao verão e por não produzirem frutos que atraiam pássaros e insetos para perto da criação.
Um investimento pensado para ficar na família
Mais do que uma expansão na propriedade, João trata o projeto como um legado. Ele afirma que o investimento foi pensado para o resto da vida dos filhos e netos, e que todo o processo, da entrada à saída de recursos, segue com nota fiscal. Ao concluir a obra, o produtor pretende reunir prefeito, vereadores, cooperativas e familiares para uma inauguração oficial da granja
Confira as fotos:


Lucas Oruam/FE com informações do Jornal Correio do Lago.






