Um forte temporal atingiu o Rio Grande do Sul entre domingo (20) e esta segunda-feira (21), provocando alagamentos, enxurradas, destelhamentos, quedas de árvores e danos em diferentes regiões do estado. O balanço mais recente da Defesa Civil aponta uma morte, quatro pessoas desaparecidas, três feridos, 701 desalojados e 101 desabrigados. Ao todo, 119 municípios registraram ocorrências relacionadas ao tempo severo.
A situação mais grave ocorre em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, onde quatro pessoas estão desaparecidas. Três delas estavam em um veículo que foi arrastado pela força da enxurrada na localidade de Parada Cristal. Um homem que também estava no carro foi resgatado, mas uma mulher de 43 anos, um adolescente de 13 anos e uma criança de 4 anos continuam desaparecidos. Em outra ocorrência, um homem desapareceu enquanto fazia a limpeza de uma galeria no bairro De Lazzer e teria sido levado pela correnteza. O Corpo de Bombeiros mantém as buscas.
Em Pelotas, um motociclista de 70 anos morreu após colidir com um fio que atravessava uma rua durante o temporal, segundo a Polícia Civil. A cidade também registrou destelhamentos, quedas de árvores e danos em estruturas. Um prédio desabou na rua Marcílio Dias, enquanto parte da parede de um imóvel vizinho caiu sobre um restaurante. O estádio Boca do Lobo, do Esporte Clube Pelotas, também sofreu danos.
A força do temporal também foi registrada pelos volumes de chuva e pelas rajadas de vento. Caxias do Sul acumulou cerca de 159,4 milímetros de chuva em um dia, enquanto Hulha Negra registrou rajadas de 126,7 km/h. Em Rio Grande, os ventos chegaram a 113,7 km/h, e Porto Alegre teve registro de rajadas superiores a 100 km/h. No início da manhã, cerca de 887 mil unidades consumidoras estavam sem energia elétrica no estado.
Os impactos não ficaram restritos à Serra e ao Sul. Em Nova Santa Rita, cerca de 400 casas foram destelhadas e aulas foram suspensas em diversas escolas. Em Igrejinha, o Rio Paranhana chegou a 3,5 metros e entrou em estágio de atenção. Em Santa Maria, um adolescente foi resgatado após ser arrastado pela água e o município registrou dezenas de pontos de alagamento. Também houve bloqueios e restrições em rodovias por quedas de árvores e deslizamentos.
A Defesa Civil mantém o alerta para a continuidade das condições severas. A elevação de rios e arroios aumenta o risco de novos alagamentos, enxurradas e extravasamentos, principalmente nas regiões Norte, Vales e Serra. A previsão também indica possibilidade de granizo e rajadas de vento superiores a 90 km/h em algumas áreas até quarta-feira (23).
Instabilidade avança em direção ao Paraná
O mesmo sistema de instabilidade também coloca o Paraná em situação de atenção. Nesta segunda-feira (21), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para 214 municípios paranaenses, incluindo áreas do Oeste. O aviso prevê possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou acumulados acima de 100 milímetros no dia, além de ventos acima de 100 km/h e granizo. O cenário pode provocar alagamentos, quedas de árvores, danos em estruturas, interrupções no fornecimento de energia e transtornos nas rodovias.
Em Santa Helena e outras cidades do Oeste, a chegada da frente fria também aumenta o risco de temporais. A previsão indica possibilidade de chuva forte, raios, ventos intensos e granizo, com instabilidades podendo continuar durante a noite e avançar pela madrugada de terça-feira (22).
A situação exige atenção dos moradores da região, principalmente durante os períodos de maior instabilidade. Em caso de temporal, a orientação é evitar áreas abertas e locais próximos a árvores, estruturas metálicas e redes elétricas, além de não tentar atravessar pontos alagados ou trechos com correnteza.
Lucas Oruam/FE com informações de R7 Notícias






