A morte do aiatolá (chefe de Estado, líder religioso) Ali Khamenei, confirmada neste sábado (28) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerra o ciclo do homem que moldou o Irã moderno por mais de três décadas.
Segundo sucessor na hierarquia máxima do país desde a Revolução de 1979, Khamenei foi a figura mais influente da República Islâmica após o aiatolá Ruhollah Khomeini. O anúncio da Casa Branca ocorre após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sinalizar que “fortes indícios” já apontavam para o óbito do líder durante os ataques aéreos.
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump.
Nascido em junho de 1939 em Mashhad, um dos principais centros do Islã no Irã, Ali Khamenei teve uma infância marcada pela simplicidade. Segundo filho de um teórico religioso — a quem descrevia como um homem austero e “um pouco cético” —, ele cresceu em uma residência modesta dividida com os pais e sete irmãos.
CASA DO AITOLA ALI KHAMENEI DESTRUÍDA VISTA PELO SATÉLITE

A imagem, capturada pela Airbus, mostra diversas estruturas destruídas ou seriamente danificadas dentro do complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã — Foto: Airbus/Soar Atlas
Sua trajetória intelectual e política consolidou-se na juventude:
- Estudos em Qom: Aos 19 anos, mudou-se para a “capital religiosa” do país, onde mergulhou em diversas correntes de pensamento.
- O encontro com Khomeini: Foi em Qom que Khamenei tornou-se aluno de Ruhollah Khomeini, figura que se tornaria seu mentor e guia espiritual.
- Resistência ao Xá: Em meados da década de 1960, ele integrou os primeiros movimentos organizados de oposição ao regime do xá Reza Pahlevi, pavimentando o caminho para a revolução que transformaria o Irã em 1979.
A morte de Khamenei deixa um vácuo de poder sem precedentes na República Islâmica. Sem um sucessor claramente definido e em meio a uma ofensiva militar externa de grandes proporções, o processo de sucessão torna-se um dos maiores desafios da história do país. Analistas internacionais apontam que o próprio modelo de governo teocrático enfrenta agora o seu teste de sobrevivência mais severo desde a sua fundação.
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Com inf. Portal do Holanda







