A empresária Tatiana Gorentzvaig afirmou, em entrevista ao podcast 100 Segredo, que o presidente Lula é responsável pela morte do pai dela. Segundo ela, o pai morreu seis meses depois de a empresa da família ser passada à Braskem. O trecho circula nas redes nos últimos dias, e a fala é uma acusação dela, sem documentos apresentados no vídeo.
Tatiana foi a convidada do episódio 53 do programa, publicado no YouTube. O canal a apresenta como profissional com trajetória em gestão e negócios e experiência no mercado financeiro. No corte, ela relembra a disputa pelo controle da empresa da família, que envolveu a Petrobras e a Braskem, de acordo com a divulgação do próprio podcast.
Tatiana diz que Lula prometeu à família Odebrecht entregar as indústrias petroquímicas em troca de financiamento de campanha, e que, após a eleição, teria de cumprir o combinado. Ela conta que, no dia do aniversário do pai, duas pessoas foram à casa de um irmão dela perguntar se ele queria vender sua parte. O pai teria respondido que compraria a parte da Petrobras na empresa e apresentado uma carta de banco para o financiamento.
Na sequência, segundo ela, foi aberta uma ação na Justiça do Rio Grande do Sul alegando que o pai não tinha direito aos 51% do capital que detinha. Tatiana afirma que a maior cliente do escritório de advocacia da juíza e dos filhos dela era a família Odebrecht, e que a magistrada não se declarou impedida. Ainda de acordo com a empresária, a juíza reduziu a participação do pai de 51% para 28,8%.
Tatiana relata que uma reunião de conselho foi convocada no mesmo dia e que a empresa foi passada à Braskem. Ela diz que houve presença da polícia e briga entre seus irmãos, porque tudo já estaria armado, e que o advogado da outra parte se escondeu debaixo da mesa. Para ela, foi um golpe político, e o pai morreu em seis meses, “de desgosto”.
O trecho não cita o nome da empresa, mas a disputa da família Gorentzvaig com a Petrobras e a Braskem em torno da Petroquímica Triunfo já veio a público. Em 2015, o empresário Auro Gorentzvaig, ex-acionista da Triunfo, disse à CPI da Petrobras que a empresa foi “expropriada” em benefício da Braskem e citou participação de Lula, com quem afirmou ter se reunido em 2009, em Brasília. Segundo a Agência Câmara, ele disse ainda que a Petrobras recuou de um acordo de R$ 355 milhões e repassou as ações à Braskem por R$ 117 milhões.
Na ocasião, o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), questionou a credibilidade do depoente e disse que a família já tinha disputas com a estatal e brigava internamente pelo controle da empresa. Já o empresário Caio Gorentzvaig, também da família, afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal, segundo o jornal O Popular, que a Justiça não vem reconhecendo as pretensões da Petroplastic, empresa em que a família tem ações, contra a Petrobras e a Braskem.
O Fonte Extra não localizou manifestação de Lula, da Braskem ou da Novonor (ex-Odebrecht) sobre as declarações feitas no podcast. O espaço segue aberto.
Confira o vídeo abaixo:
Lucas Oruam/FE com inf. de 100 Segredo, Agência Câmara e O Popular






