A vazão alta da Itaipu foi um dos temas de um episódio do podcast Guarda Volume, em que o ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi, procurou tranquilizar o público. Engenheiro civil e empresário, ele foi vereador, vice-prefeito e prefeito da cidade por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012. Um trecho da conversa foi divulgado em corte no perfil dele. Diante de imagens da água passando pelo vertedouro, o apresentador comentou que ficou com medo, e Paulo respondeu que a estrutura foi calculada para suportar 60 milhões de litros por segundo. Segundo ele, a vazão atual deve estar na casa de 35 milhões de litros por segundo, o que mantém a operação dentro do previsto.
Paulo destacou que a obra tem segurança de sobra e que o cálculo foi muito bem feito. Para ele, ninguém arriscaria um acidente numa obra desse porte para economizar, e disse que isso jamais aconteceria.
Questionado como engenheiro se Foz do Iguaçu inundaria mesmo em um cenário extremo, ele explicou que o canal do rio é bem fundo e que as margens ficam bem acima do nível da água. Mesmo com uma vazão três vezes maior, a água não chegaria a entrar na cidade. Ele admitiu que algumas regiões mais baixas podem ser atingidas, mas disse que são poucas.
A fala acontece em meio ao alerta da Itaipu para a cheia do rio Paraná. Segundo a usina, o rio chegou a 115,39 metros na Ponte da Amizade na segunda-feira (12), contra 110,50 metros na véspera, e a Defesa Civil pediu atenção a moradores de áreas baixas, como o Porto de Areia e o vale do Rio Boicy. A Itaipu informou que os imóveis começam a sofrer impactos por volta de 119 metros e que o vertedouro segue aberto, enquanto a usina mantém o atendimento de energia ao Brasil e ao Paraguai. O nível do Paraná também depende da vazão do rio Iguaçu, que a usina não controla.
A cheia dos rios Iguaçu e Paraná já causa transtornos na fronteira. No Porto de Areia, em Foz do Iguaçu, a água invadiu o espaço e as embarcações que fazem passeios pelo rio Iguaçu permaneceram ancoradas, enquanto a água avançava sobre estruturas como a do Iate Clube. A passarela das Cataratas do Iguaçu está interditada desde a manhã de domingo (11) por causa do aumento da vazão, embora o restante do Parque Nacional siga aberto à visitação. Famílias também precisaram deixar suas casas em áreas de risco.
Confira a fala de Paulo sobre o caso:
Lucas Oruam/FE com informações do podcast Guarda Volume (corte divulgado no perfil de Paulo Mac Donald)






