O país vizinho surpreende analistas e organizações internacionais com um desempenho econômico consistente. Segundo o Agroempresario, o Produto Interno Bruto do Paraguai cresceu 6,6% em 2025, sustentando uma média superior a 5% ao ano nos últimos três anos. No mesmo período, cerca de 300 mil pessoas saíram da pobreza e o desemprego atingiu seu nível mais baixo em mais de uma década.
Um dos principais fatores por trás desse desempenho é a disponibilidade de energia elétrica renovável e de baixo custo. Graças às hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá, o Paraguai se tornou um dos maiores exportadores de eletricidade limpa por habitante do mundo. Essa vantagem vem atraindo investimentos em centros de dados, inteligência artificial, indústrias tecnológicas e novas atividades manufatureiras, setores que buscam justamente energia barata e abundante para operar.
A agricultura e as exportações continuam sendo outro motor fundamental da economia paraguaia. A soja, a carne bovina, a produção suína e as atividades florestais respondem por uma parcela significativa da riqueza nacional. Após superar os efeitos da severa seca de 2022, o setor recuperou dinamismo com colheitas melhores e aumento da demanda internacional.

O crescimento também está sendo impulsionado por uma expansão expressiva do investimento estrangeiro direto. Empresas de diferentes países encontram no Paraguai estabilidade macroeconômica, custos competitivos e uma localização estratégica no centro da América do Sul. Os fluxos de investimento atingiram níveis recordes nos últimos anos, gerando novos projetos industriais, logísticos e energéticos.
Outro atrativo valorizado pelo setor privado é o sistema tributário do país, considerado um dos mais competitivos da América Latina. O Paraguai mantém alíquotas de 10% tanto para o imposto corporativo quanto para o IVA e o imposto de renda, uma estrutura que contribui para atrair capital estrangeiro e estimular a expansão de empresas locais e internacionais.
A localização geográfica também joga a favor. O país avança em obras ligadas ao Corredor Bioceânico e à Hidrovia Paraguai-Paraná, dois sistemas logísticos que melhoram a conexão com os principais mercados regionais e internacionais, reduzindo custos e tempo de transporte para as exportações.
O desempenho consistente foi reconhecido pelas principais agências de classificação de risco, que melhoraram a nota de crédito do Paraguai nos últimos anos, facilitando o acesso ao financiamento e aumentando a confiança dos investidores.
Os especialistas, no entanto, alertam que o próximo desafio será converter esse crescimento em melhora concreta na qualidade de vida da população. A informalidade no mercado de trabalho ainda é elevada, e persistem desafios em áreas como produtividade, educação e distribuição de renda.
Para a região de fronteira, como o oeste paranaense, que mantém relações econômicas intensas com o Paraguai, o crescimento do país vizinho tem impacto direto no comércio, no fluxo de pessoas e nas oportunidades de negócios.







