A febre do Nilo Ocidental voltou aos holofotes no Brasil depois da confirmação dos primeiros casos humanos da doença no estado de São Paulo. A infecção, causada por um arbovírus do mesmo grupo da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, é transmitida principalmente pela picada do mosquito Culex (o pernilongo comum), que se contamina ao picar aves infectadas — os principais reservatórios do vírus.
Casos confirmados no Brasil
São Paulo registrou, pela primeira vez em sua história, casos humanos da doença. Um deles é o de uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que viajou recentemente à região amazônica e já está curada.
Em nível nacional, o Ministério da Saúde mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial reforçada após a confirmação de mais dois casos em Santa Catarina — um deles evoluindo para óbito, e um caso provável no Piauí. As equipes estaduais e municipais seguem investigando para identificar os prováveis locais de infecção e orientar medidas de prevenção.
“Não há motivo para pânico”, diz infectologista
Apesar dos casos confirmados e da morte registrada, o médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Furtado da Costa, tranquiliza a população: a maioria absoluta dos quadros é leve, e menos de 1% dos casos evolui para a forma grave. Segundo ele, é preciso manter vigilância sobre aves e locais com mortalidade anormal desses animais, mas isso não significa que o contato com aves seja a principal via de contágio para humanos.
O especialista lembra ainda que a febre do Nilo Ocidental não é uma doença comum no Brasil, mas é conhecida na África há pelo menos 90 anos.
Sintomas
Estima-se que apenas cerca de 20% das pessoas infectadas cheguem a desenvolver sintomas, a maioria deles de forma leve. Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem febre e mal-estar, falta de apetite, náuseas e vômitos, dor de cabeça, dor muscular e dor nos olhos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos (ínguas).
Em uma parcela pequena dos infectados, o quadro pode evoluir para formas graves, como encefalite ou meningite, com sintomas neurológicos como confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores ou convulsões. Nesses casos, a orientação médica é clara: buscar atendimento imediato.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico combina avaliação clínica com exames laboratoriais específicos, levando em conta também se a pessoa esteve em áreas com circulação do mosquito transmissor.
Não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o vírus do Nilo Ocidental em humanos. Segundo o infectologista da USP, isso se deve ao número de casos ainda pequeno em comparação a outras arboviroses, como dengue e zika, o que não justificou, até agora, o desenvolvimento de estudos voltados a uma vacina.
O manejo dos casos é, portanto, voltado ao alívio dos sintomas. Nos quadros leves, o cuidado envolve repouso, hidratação abundante e medicamentos sintomáticos prescritos por um médico.
Já nos casos graves, pode ser necessária internação hospitalar, com suporte em UTI, hidratação intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir complicações secundárias.
Prevenção
A principal medida de prevenção segue sendo o combate à reprodução e à picada do mosquito Culex: uso de repelentes, instalação de telas em janelas e portas, e eliminação de focos de água parada, onde o inseto se reproduz.
Eldriã Boff/FE com in formações de Agência Brasil






