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Os riscos escondidos por trás dos data centers que chegam ao Paraná

O anúncio de um data center de inteligência artificial em Maringá reacende um debate que já preocupa especialistas em todo o mundo: o custo ambiental desses megaempreendimentos. Cada instalação desse porte consome volumes gigantescos de água e energia, funcionando 24 horas por dia, todos os dias do ano, sem qualquer possibilidade de reduzir o consumo em períodos de escassez.

Um estudo do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) mostra que só o cluster de data centers de São Paulo consome 16,1 milhões de metros cúbicos de água por ano, o suficiente para abastecer mais de 100 mil residências.

O consumo do Google saltou de 19,7 bilhões de litros em 2022 para 29,4 bilhões em 2024. Para Sérgio Koide, professor da Universidade de Brasília, o consumo de energia desses empreendimentos é brutal e tende a impactar toda a matriz energética do país.

Casos assim já viraram alerta internacional. Em Querétaro, no México, moradores relatam torneiras secas enquanto a Microsoft usa 600 milhões de litros de água na região, segundo o mesmo estudo.

No Chile, que já soma 65 data centers em operação, o Google chegou a desistir de um projeto depois de protestos de ativistas. Na Irlanda, as autoridades limitaram novas instalações em Dublin porque o setor já consome mais energia do que todas as residências urbanas do país somadas.

Especialistas descrevem um ciclo difícil de conter: quando os reservatórios das hidrelétricas baixam, o sistema elétrico recorre a termelétricas mais caras e poluentes, o que agrava as secas que reduzem ainda mais os reservatórios. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de água por data centers deve mais que dobrar até 2030, saltando de 560 bilhões para 1,2 trilhão de litros por ano. Uma pesquisa da Data Centers Dynamics aponta que mais da metade dos profissionais do setor já identifica a própria refrigeração como a principal fonte de desperdício energético.

No Brasil, mais de 80 dos 200 data centers em funcionamento estão em bacias hidrográficas já pressionadas, como a do Alto Tietê e a dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Um projeto de lei que tramita no Congresso, o PL 3018/2024, busca regular especificamente os data centers de IA, mas o setor ainda opera principalmente sob medidas provisórias. Com o Paraná entrando na disputa por esses investimentos bilionários, especialistas defendem que qualquer novo projeto seja precedido de transparência sobre o consumo real de água e energia.

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