Fachin reage à crise e Senado entra no caso Moraes
Pode estar indo pro brejo assunção praticamente automática de Alexandre de Moraes à presidência do STF em 2027, isso se não cair antes ou for derrubado por um impeachment do Senado.
A quebra de sigilo da investigação da Polícia Federal, nesta terça (1º), que revelou com riqueza de detalhes a constrangedora relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, provocou uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministros agora discutem maneiras de convencer Moraes a desistir da presidência da Casa, com posse para daqui a um ano, como forma de preservar a instituição e evitar que outros colegas sejam arrastados para a crise.
Ao menos um ministro, que se queixa das “descortesias” do colega, acha que Moraes deveria renunciar, poupando o STF e encerrando a crise.
O temor dos ministros é que pode vir mais: o relatório de 247 páginas da PF se baseia na quebra de sigilo de um dos 8 celulares de Vorcaro.

(Reprodução/Esmael Moraes)
Fachin reage à crise e Senado entra no caso Moraes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, que a Corte vive um momento de “especial gravidade” e anunciou que adotará medidas após analisar os fatos relacionados ao Banco Master. No Senado, a oposição ampliou a cobrança pelo impeachment de Alexandre de Moraes, mas encontrou resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que evita antecipar uma decisão sobre os pedidos.
A crise, portanto, deixou de ser apenas uma disputa em torno das informações reveladas pela investigação da Polícia Federal. Ela passou a exigir uma resposta institucional do próprio STF enquanto o Congresso é pressionado a decidir se abrirá espaço para o julgamento político de um de seus ministros.
Fachin fez a primeira manifestação pública sobre o episódio nesta quarta-feira, durante a abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanholo-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília. Sem citar nominalmente Moraes ou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o presidente do STF afirmou que os “indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”.
O ministro também disse que as circunstâncias exigem “serenidade, responsabilidade e firmeza” e ressaltou que a autoridade do cargo não representa privilégio.
“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, afirmou Fachin.
A Presidência do STF informou que, depois da análise dos fatos e dos procedimentos institucionais pertinentes, anunciará as medidas consideradas cabíveis e necessárias. Fachin enfatizou que isso ocorrerá “no tempo devido e sem precipitação”.
A manifestação coloca o presidente da Corte diante de um problema que tem duas dimensões. De um lado, há os fatos e indícios relacionados às relações entre integrantes do STF e Vorcaro. De outro, há o questionamento sobre a própria condução processual do caso pelo ministro André Mendonça, que retirou o sigilo de informações da investigação.
Fachin não antecipou qual providência poderá ser adotada. A declaração, por isso, não significa abertura de investigação contra Moraes nem conclusão de que o ministro tenha cometido irregularidade. O que existe, neste momento, é o reconhecimento institucional de que os fatos exigem análise e encaminhamento.
Com inf. de Claudio Humberto/Diário do Poder/Esmael Moraes






