Ronaldo Edison Richard, cadeirante e beneficiário do BPC, morreu em Santa Rosa; defesa contestava acusação de que ele teria financiado o transporte de manifestantes para Brasília
Ronaldo Edison Richard, conhecido como “Richard Galo”, réu em um processo relacionado aos atos de 8 de janeiro, morreu aos 63 anos em sua residência na cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. A informação foi formalizada pela defesa ao relator Alexandre de Moraes, seu algoz no Supremo Tribunal Federal, com a apresentação da certidão de óbito.
Segundo documentos apresentados no processo, Richard era cadeirante e recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), no valor de um salário mínimo. A situação financeira dele passou a ser destacada pela defesa durante a tramitação do caso.
Na declaração de bens apresentada, constavam apenas um Fusca avaliado em aproximadamente R$ 5 mil e um saldo bancário de cerca de R$ 885,72. Os dados foram utilizados pelos advogados para questionar a acusação de que ele teria financiado o transporte de manifestantes.
Richard havia se tornado réu na 23ª fase da Operação Lesa Pátria, sob a acusação de participação no financiamento do transporte de pessoas do Rio Grande do Sul para Brasília durante os atos de 8 de janeiro de 2023.
A defesa alegou que ele não teria participado da viagem e que seu nome apareceu no contrato do veículo porque teria apenas autorizado a retirada do ônibus na garagem. Segundo os advogados, ele permaneceu no Rio Grande do Sul durante os acontecimentos.
Ainda conforme a defesa, uma perícia bancária da Polícia Federal teria indicado que os próprios passageiros fizeram uma arrecadação coletiva para pagar os custos da viagem. Os advogados usaram esse argumento para contestar a acusação de financiamento.
O caso de Richard ganhou repercussão pela diferença entre a acusação apresentada no processo e os argumentos apresentados pela defesa. Os advogados afirmavam que a condição financeira dele seria incompatível com a hipótese de custear uma viagem coletiva.
Com a comunicação oficial do falecimento ao STF, o processo criminal contra Ronaldo Edison Richard deverá ser extinto, já que a morte do réu impede a continuidade da responsabilização penal.
O caso também trouxe novamente ao debate a situação de idosos e pessoas em condições vulneráveis envolvidos nos processos relacionados ao 8 de janeiro. Diferentes pedidos de revisão de medidas judiciais foram apresentados por defesas ao longo das ações.
A defesa de Richard afirmou que os documentos apresentados demonstravam uma realidade financeira simples e buscava afastar a acusação de que ele teria atuado como financiador dos atos. O processo agora segue para encerramento formal após a confirmação do óbito.
Diário 360






