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(Vídeo) Asfalto da vergonha entre Santa Helena e Ramilândia: caminhões ficam presos em estrada que o Estado prometeu entregar em 2025

Fila de dez caminhões trava o trecho de São Roque, em Santa Helena. Obra de R$ 20 milhões, com dinheiro garantido pela Itaipu e projeto pago pela Cooperativa Lar, segue parada por falta de solução do Governo do Estado do Paraná.

Prometida para outubro de 2025, pelo então secretário de Infraestrutura Sandro Alex, a estrada que deveria ligar São Roque a Ramilândia continua sendo, em outubro de 2026, uma armadilha.

Na manhã desta quinta-feira (1), um caminhão patinou na curva de sempre, no alto do trecho de Santa Helena, e deixou vários outros veículos parados em fila. Ninguém passava. As máquinas para liberar a pista não apareciam.

Segundo populares, a fila estava grande, o trecho estava todo trancado e as pessoas não conseguiam passar. Um morador subiu até o local e voltou com a mesma conclusão: seriam necessárias máquinas, e ninguém estava conseguindo.

O bloqueio desta quinta-feira não é um episódio isolado, é continuação. No dia 16 de setembro, um automóvel perdeu o controle devido às péssimas condições da pista e capotou no mesmo trecho.

Menos de uma semana antes, um ônibus escolar e um caminhão se envolveram em uma ocorrência nas imediações, o que levou pânico às famílias da zona rural e dos distritos vizinhos.

Logo depois, outro carro de passeio também sofreu acidente. Três ocorrências em poucos dias, com ônibus escolar no meio, na mesma via. O perigo deixou de ser risco eventual para virar certeza diária. O Fonte Extra já havia mostrado essa situação.

É aqui que a indignação ganha sentido. A obra foi iniciada em junho de 2024 pelo Governo do Estado, por meio do DER/PR, com prazo de 630 dias e investimento de cerca de R$ 20 milhões. Os recursos vêm da Itaipu Binacional e o projeto executivo foi custeado pela Cooperativa Lar. A parte financeira foi resolvida por terceiros. Ao Estado cabia licitar, fiscalizar e executar.

Em outubro do ano passado, o próprio Governo divulgava que a obra estava em 76,32%. Hoje, um ano depois do prazo prometido, o trecho de Santa Helena continua inacabado, entre buracos, desvios mal sinalizados e poeira.

A causa, segundo apurado, é um impasse burocrático e jurídico ligado à contratação ou recontratação da Construtora Castilho. O Estado, com dinheiro garantido e projeto pronto, não conseguiu resolver um problema de contrato.

A estrada foi anunciada pela primeira vez em 2018, quando o Estado prometeu calçamento com pedras na ligação. Em 2021, o anteprojeto foi doado ao Estado. A obra só começou em 2024. Em junho de 2025, uma liminar chegou a paralisar o andamento, até o Tribunal de Justiça do Paraná suspendê-la.

Oito anos de promessas, e o resultado é uma estrada pela metade. O que se vê hoje no trecho é o retrato do improviso: os reparos feitos até aqui foram um jeito de remendar a situação, que não resolveu nada, e a promessa continua pela metade.

Diante do silêncio oficial e da falta de resposta sobre quando o trecho será finalizado, a população pergunta: é incompetência administrativa ou má vontade com a região? O pequeno trecho de Santa Helena parece ter sido deliberadamente relegado ao segundo plano.

Tudo o que foi possível fazer pela iniciativa privada, pela prefeitura e pela maioria dos lindeiros, tanto de Santa Helena e a totalidade dos proprietários de terra e autoridades dos outros municípios, Missal e Diamante do Oeste, envolvidos, foi feito.

Não há explicação plausível para o Estado não ter resolvido o impasse antes que vidas fossem colocadas em risco, em que pese a atuação negativa de pessoas intituladas de lideranças, corroboradas por alguns poucos lindeiros que manejaram na justiça contra orçamentos indenizatórios e ajudaram também a travar o processo.

Essa minoria de lindeiros de São Roque atrapalhou as negociações e o ritmo das máquinas no passado, com uma postura individualista que hoje afeta todos. Mas a imensa maioria dos moradores de São Roque, de Santa Helena e do Oeste do Paraná assiste com revolta a mais um capítulo do descaso estadual com o desenvolvimento local.

Agricultores e empresas que precisam escoar a produção, caminhoneiros que perdem horas de trabalho e famílias que dependem do transporte escolar pagam a conta. A esperança de um povo que esperou tanto por essa ligação asfáltica foi suspensa pela burocracia e pela falta de ação do Estado.

Esse cenário dificilmente passará impune pela memória coletiva. A conta desse descaso, que hoje se paga em veículos destruídos e vidas em risco, pode ser cobrada pela população nas urnas.

Vídeo:

Confira as fotos abaixo:





Lucas Oruam/FE e Elder Boff/FE

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