A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (23) a Revisão Tarifária Periódica da Copel Distribuição, com efeito médio de 20,51% para os consumidores paranaenses. Os novos valores passaram a valer nesta quarta (24) e atingem as mais de 5,32 milhões de unidades consumidoras atendidas pela companhia no estado. Os percentuais variam conforme o perfil do consumidor: 20% para residências (B1), 19,85% em média para os de baixa tensão e 21,87% em média para os de alta tensão, com efeito médio geral de 20,51%.
Segundo a própria Aneel, entre os fatores que mais impactaram os índices estão os custos com transmissão e compra de energia, além dos encargos setoriais e componentes financeiros apurados no processo tarifário anterior. O tema passou por audiência pública em Curitiba, em 24 de abril, e foi discutido na Consulta Pública nº 005/26.
Vale lembrar que não estamos falando de um reajuste anual comum. A Revisão Tarifária Periódica acontece a cada cinco anos e reavalia toda a estrutura de custos da distribuidora. Segundo a Aneel, nesse processo são definidos o custo eficiente da distribuição, as metas de qualidade e de perdas de energia, além dos componentes do Fator X para o ciclo tarifário. O reajuste anual, por sua vez, serve apenas para corrigir esses valores pela inflação nos anos intermediários.
Quem paga o solar do vizinho
O ponto mais polêmico do reajuste é o peso do subsídio à geração distribuída, os sistemas de placas solares fotovoltaicas. Em nota oficial, a Copel informou que 16% do total do reajuste correspondem ao custeio desse subsídio federal, cobrado de todos os consumidores por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Entre dezembro de 2020 e junho de 2026, segundo a Copel, o número de clientes com energia solar no Paraná saltou de 55 mil para 677 mil, chegando a 13% da base de clientes da companhia.
Os outros 87% dos consumidores paranaenses, que não possuem painéis instalados, também arcam com esse custo mensalmente. Entre eles estão justamente os de menor renda, que dificilmente têm condições financeiras de investir num sistema de geração própria. O modelo concentra o benefício em quem já pôde investir e divide o custo com todos os demais.
A conta que ainda vai chegar
O índice final do reajuste foi alcançado após a aplicação de um mecanismo de amortecimento econômico no valor de R$ 1,3 bilhão. Sem esse diferimento tarifário aprovado pela agência reguladora, o impacto nas faturas seria substancialmente maior. Essa parcela adiada será recuperada nas tarifas dos próximos anos, o que significa que o reajuste desta semana não representa o custo total da revisão.
A Copel informou ainda, em nota, que, mesmo com o aumento, a tarifa paranaense permanece entre as mais baratas do Brasil, em torno de R$ 0,76 por quilowatt-hora para o consumidor residencial. A empresa esclareceu também que, de cada R$ 10 pagos na conta de luz, apenas R$ 2 ficam com a distribuidora para cobrir operação, manutenção e expansão da rede. O restante vai para compra de energia, transmissão, encargos setoriais e impostos federais definidos por lei.
Os números são reais. Só que “mais barato que em outros estados” não reduz o impacto de um reajuste que chega a mais de quatro vezes a inflação prevista para este ano, num momento em que o orçamento das famílias paranaenses já está pressionado por vários lados.
Fontes: nota oficial da Aneel (gov.br/aneel) e nota à imprensa da Copel Distribuição.







