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Copel: Mudança na diretoria reflete pressão política e gargalos na distribuição

(Foto: divulgação/composição FEIA/Gemini)

Por Elder Boff*

A Copel (Companhia Paranaense de Energia) passa por uma dança das cadeiras estratégica em seu alto escalão. As mudanças nos cargos de comando da ala operacional e de distribuição não são mero preciosismo administrativo; refletem a urgência em dar velocidade a projetos travados, desburocratizar processos e, acima de tudo, corrigir as severas falhas na distribuição de energia que vêm afetando a população.

Deixa o cargo Marcos Vilella de diretor de Distribuição. Para o seu lugar, assume Denis Molica (até então superintendente de engenharia), com a missão de agilizar o setor. Karine Torres deixa a diretoria de Operação, sendo substituída por Gustavo Teodoro, funcionário de carreira da casa.

A dupla Molica e Teodoro assume com o indigesto objetivo de reorganizar os gargalos estruturais da empresa. Eles precisarão ir direto ao foco dos problemas, o que inclui a necessidade urgente de contratação de pessoal e a resolução de falhas crônicas de atendimento.

Ouvi isso do radialista e amigo Valdomiro Cantini no programa Microfone Aberto pela Rede Massa de Rádios e emendo que enquanto isso, o presidente da Copel, Daniel Slavieiro, segue no cargo, mas sob forte pressão. Nos bastidores, a leitura é de que o executivo recebeu uma cobrança direta e incisiva do governador Ratinho Junior para apresentar resultados imediatos.

Em ano eleitoral, a eficiência dos serviços públicos é uma vitrine perigosa. Se não houver uma resposta rápida, a própria Copel corre o risco de se transformar no principal cabo eleitoral da oposição ao atual governo.

Um dos pontos mais críticos que a nova direção de Distribuição e Operação terá de reavaliar urgentemente é o modelo de terceirização de serviços.

Relatos de consumidores apontam que as empresas prestadoras de serviço parecem ter perdido o controle sobre suas equipes de campo. Há uma nítida percepção de falta de comando que ecoa desde a alta presidência até o chão de fábrica. O resultado disso é alarmante: decisões técnicas cruciais — como o restabelecimento ou corte de energia de uma região — acabam ficando ao livre arbítrio de funcionários terceirizados sem a devida supervisão.

É evidente que, em um universo de milhares de colaboradores, existem excelentes profissionais. Contudo, a ausência de uma fiscalização rígida e de liderança firme permite que os maus exemplos contaminem a reputação de todo o sistema. Para o consumidor, não importa se o crachá é da terceirizada; a responsabilidade final e a cobrança da fatura são sempre da Copel.

Os desafios são imediatos e o diagnóstico para a nova gestão é claro, pois precisa ser aumentado o rigor na fiscalização e cobrança de metas das empresas terceirizadas e retomar o protagonismo e o comando técnico das operações de campo.

Outro fator é garantir investimentos robustos na modernização da rede para evitar apagões e cuidar para não fazer malabarismos nas faturas, que sempre estouram no bolso do consumidor, principalmente, e não só estes, os produtores rurais que lidam com a avicultura, suinocultura, piscicultura e bovinocultura de leite.

A troca de diretores sinaliza que o governo estadual e a presidência da Copel entenderam o tamanho do risco. Resta saber se os novos nomes terão o tempo e a autonomia necessários para estancar a crise antes que o prejuízo político e social seja irreversível.




* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra

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