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Nova cara do guarani: Paraguai troca as cédulas depois de mais de seis décadas

O Paraguai apresentou nesta segunda-feira (5) uma nova família de cédulas do guarani. O lançamento foi feito pelo Banco Central do Paraguai (BCP), com a presença do presidente Santiago Peña, e marca a primeira renovação completa das notas do país em mais de 60 anos.

Apesar da mudança no visual e nos elementos de segurança, os valores continuam exatamente os mesmos. As notas de 2 mil, 5 mil, 10 mil, 20 mil, 50 mil e 100 mil guaranis continuam existindo e não haverá corte de zeros ou mudança no valor da moeda.

A substituição será feita aos poucos. As primeiras novas cédulas a chegar às ruas serão as de 100 mil, 50 mil e 5 mil guaranis, previstas para entrar em circulação no primeiro trimestre de 2027. As notas antigas continuarão valendo e vão conviver com as novas durante o processo de substituição.

Novas cédulas contam a história do Paraguai

O novo dinheiro também ganhou elementos que procuram representar a história e a cultura do Paraguai. A nota de 2 mil traz o jaguar e referências aos povos originários. A de 5 mil homenageia as missões jesuíticas, enquanto a de 10 mil reúne José Gaspar Rodríguez de Francia e Carlos Antonio López, além do aguará guazú.

Na nota de 20 mil aparecem Francisco Solano López e José Félix Estigarribia. A de 50 mil presta homenagem às educadoras Celsa e Adela Speratti e traz o taguá. Já a de 100 mil reúne os músicos Agustín Pío Barrios e José Asunción Flores, acompanhados pelo pássaro-sineiro.

As cédulas também apresentam elementos da biodiversidade e da cultura paraguaia, incluindo referências às seis ecorregiões do país, além de símbolos como a harpa, o ñandutí, o ao po’i, o poncho para’i e o tereré.

Outra mudança está na segurança. As novas notas terão impressão em relevo, fio de segurança, marcas d’água e tintas que mudam de cor dependendo do ângulo. Também terão números maiores e marcas táteis para facilitar a identificação por pessoas com deficiência visual.

Parte das novas cédulas será produzida em polímero. É o caso das notas de 2 mil, 5 mil e 10 mil guaranis. As de 20 mil, 50 mil e 100 mil continuarão sendo produzidas em papel de algodão.

Guarani atravessou décadas sem cortar zeros

O guarani foi criado em 5 de outubro de 1943 e tem uma característica que chama atenção quando comparada à história da moeda brasileira: o Paraguai nunca precisou cortar zeros de sua moeda. O nome guarani permanece o mesmo há 83 anos.

Isso não significa que as cédulas paraguaias tenham sido sempre iguais. O país já teve diferentes modelos e famílias de notas ao longo das décadas. A primeira família surgiu em 1944 e, em 1963, começou a circular uma nova série emitida pelo Banco Central do Paraguai. Agora, mais de seis décadas depois, uma nova família será colocada em circulação.

No Brasil, a história foi bem diferente. O país passou por várias mudanças de moeda e cortes de zeros ao longo do século passado. O cruzeiro foi substituído pelo cruzeiro novo em 1967, com a retirada de três zeros. Em 1970, o nome voltou a ser cruzeiro. Em 1986 veio o cruzado, novamente com três zeros a menos. Em 1989, surgiu o cruzado novo, com outro corte de três zeros.

Em 1990, o país voltou a usar o cruzeiro e, em 1993, foi criado o cruzeiro real, novamente com a retirada de três zeros. No ano seguinte veio o real, em julho de 1994, com a conversão de 2.750 cruzeiros reais para cada R$ 1.

Ou seja, enquanto o Brasil passou por sete mudanças de moeda ou de denominação monetária em pouco mais de 50 anos, o Paraguai manteve o guarani desde 1943. A nova mudança anunciada agora não representa uma nova moeda, mas apenas a renovação das cédulas que estão em circulação.

Para os paraguaios, portanto, ₲ 5 mil continuará sendo ₲ 5 mil e ₲ 100 mil continuará sendo ₲ 100 mil. A diferença estará no desenho, no material e nos novos recursos de segurança das notas. A troca será gradual e, por enquanto, não há motivo para que a população deixe de utilizar as cédulas atuais. Elas continuarão tendo validade normalmente enquanto as novas notas forem chegando às ruas.

Lucas Oruam/FE

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