Os números das urnas instaladas em presídios no primeiro turno são públicos e dizem muito. Segundo levantamentos com base nos boletins do TSE, Lula teve cerca de 73% dos votos válidos nessas seções, contra cerca de 23% de Flávio Bolsonaro. Em Caraguatatuba (SP), passou de 89%.
Em Juazeiro (BA), ficou em 86%. Em Pedrinhas, no Maranhão, a unidade que já foi considerada a mais violenta do país, foram 150 votos para o petista.
É verdade que o voto é livre e que o preso provisório tem direito a ele. É verdade também que a seção mistura presos, adolescentes internados, servidores e mesários.
Mas, quando uma parte do eleitorado que conhece o sistema penal por dentro se inclina de forma tão larga para um lado, o eleitor que está do lado de fora tem o direito de perguntar por quê.
A resposta que muita gente dá é a mais simples: para quem está atrás das grades, o discurso de um governo que trata segurança pública como problema social antes de tratá-lo como problema policial soa como alívio. Para quem está do lado de fora, o mesmo discurso soa como abandono.
O comerciante assaltado, o produtor que perde carga no contrabando, a família que vê o filho aliciado pelo tráfico não têm a mesma sensação de tranquilidade.
No oeste do Paraná, essa conversa não é abstrata. Quem vive perto da fronteira sabe o que é o crime organizado, o descaminho e a insegurança no campo.
Um governo que passou quatro anos prometendo reconstruir o país e hoje precisa responder por que a bandidagem, no sentido mais amplo do termo, parece confortável com ele, não pode tratar esse número como detalhe.
Não se trata de acusar o presidente de nada que a lei não tenha provado. Trata-se de uma pergunta política, e ela é legítima: um país que quer menos crime deveria dar mais um mandato a quem recebe mais votos, onde o crime é julgado?
O segundo turno é dia 25 de outubro. Não desperdice seu voto com quem trata a segurança como assunto secundário. Seu voto não é para agradar quem está atrás das grades, é para proteger quem está do lado de fora.
Confira o vídeo de Flávio Bolsonaro abaixo:
Lucas Oruam/FE com inf. de TSE






