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Peste negra? Morte de pesquisadora na Rússia coloca dezenas em quarentena

A morte de uma pesquisadora de 28 anos em um instituto especializado no estudo da peste, na Sibéria, levantou preocupações sobre uma possível infecção pela doença e levou cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela a serem colocadas sob observação ou quarentena. Apesar dos temores, as autoridades russas afirmam que não há confirmação de peste no caso e apontam como causa da morte uma pneumonia de origem ainda desconhecida.

Darya Shipilova trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk e morreu na sexta-feira (2), após apresentar um quadro de pneumonia. A situação chamou atenção justamente porque ela atuava em uma instituição que pesquisa a bactéria causadora da peste, a Yersinia pestis, mas os órgãos de saúde russos dizem não ter encontrado evidências de que a doença tenha relação com sua morte.

O contexto da Yersinia pestis

Gravura de cobre do Doutor Schnabel (ou seja, Dr. Beak), um médico da peste na Roma do século XVII, por volta de 1656.

Apesar de associações históricas com a “peste negra”, autoridades reforçam que não há confirmação da doença no caso atual.

A preocupação aumentou depois que aproximadamente 200 pessoas que tiveram contato com a pesquisadora foram colocadas em acompanhamento médico. Segundo as informações mais recentes, cerca de 90% dessas pessoas já foram liberadas e quase 5 mil exames realizados não encontraram sinais de patógenos perigosos entre os contatos. Nenhum caso confirmado de peste foi identificado até o momento.

Também surgiram relatos de que Shipilova poderia ter sido contaminada após um possível acidente dentro do laboratório, envolvendo uma amostra com a bactéria da peste. A versão, porém, não foi confirmada e a agência de saúde russa afirma que não encontrou evidências de acidentes durante o manuseio de agentes patogênicos no instituto.

Investigação e riscos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu mais informações à Rússia para esclarecer a causa da morte e avaliar melhor a situação. Com os dados disponíveis até agora, a entidade considera baixo o risco para a população em geral, enquanto autoridades russas afirmam que a situação está sob controle.

A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e pode apresentar diferentes formas. A versão pneumônica afeta os pulmões e pode ser transmitida por gotículas respiratórias, mas atualmente a doença pode ser tratada com antibióticos quando identificada rapidamente. Sem tratamento, entretanto, pode evoluir de forma grave e levar à morte.

Yersinia pestis

Apesar de a expressão “peste negra” ter chamado atenção nas redes sociais, não há confirmação de que a pesquisadora tenha sido vítima da doença. As autoridades russas e a OMS continuam acompanhando o caso, enquanto novas informações são aguardadas para esclarecer a causa da morte.

Lucas Oruam/FE com informações do Washington Post e Reuters.

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