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Presidente do PT admite desgaste de Lula com crise no STF

Edinho Silva e Lula.Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu nesta sexta-feira (18) que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) desgastou a campanha de reeleição do presidente Lula. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, a 16 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Segundo Edinho, a campanha vinha em um cenário favorável até o surgimento do conflito entre os ministros da Corte. “É inegável que ela atingiu a nossa campanha”, afirmou, conforme a Gazeta do Povo.

Ele explicou que parte da população não distingue as atribuições dos Três Poderes e acaba transferindo ao governo a insatisfação com as instituições. Na avaliação do dirigente, esse sentimento antissistema atinge todo o ambiente político brasileiro e pesa principalmente sobre quem está no poder.

Edinho disse que Lula tem reagido com posições que já defendia, como a reforma do Judiciário e a punição dos responsáveis por eventuais irregularidades. Ele também considerou legítimo o questionamento da sociedade sobre o funcionamento da Justiça e citou propostas que podem entrar no debate: idade mínima e mandato para ministros dos tribunais superiores e maior participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público.

O presidente do PT rejeitou ligar o desgaste do STF ao fato de seis dos dez ministros atuais terem sido indicados por governos petistas, quatro por Lula e dois por Dilma Rousseff. Para ele, estabelecer essa relação direta seria forçar demais a mão. Edinho afirmou ainda que a campanha vai apresentar Lula como representante de uma agenda de mudanças no Judiciário e no sistema político e eleitoral.

A crise se agravou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal do caso Banco Master, no início de setembro. O material mostra mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a CNN Brasil, o relatório mapeou encontros entre os dois ao longo de 2024 e 2025.

O episódio levou a uma troca de ofícios e a acusações mútuas entre ministros. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso envolvendo Moraes e o levou ao plenário, que deve decidir se abre ou arquiva a investigação. De acordo com o Estadão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas, pediu o arquivamento do relatório.

Sobre o contrato entre o escritório da esposa de Moraes e o Banco Master, o escritório informou que o ministro nunca julgou no STF uma causa envolvendo o banco e que os serviços foram prestados. Até as últimas informações consultadas, Moraes não havia se pronunciado oficialmente sobre as citações. Os citados têm direito à defesa, e não há decisão do plenário sobre o caso.



Lucas Oruam/FE com informaçoes da Gazeta do Povo

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