Por Elder Boff*
Talvez o leitor poderá acrescentar outros cabos eleitorais às avessas, mas dentro da nossa ótica, Lula vai perder a eleição por causa de fogo amigo, relações espúrias suas e de aliados e por incrível que parece, pelas próprias palavras.
Em ordem decrescente, o papel de cada um neste processo de desintegração da campanha lulista:
10 – Alckmin — Não soma nada. Mordeu a língua ao falar no passado que Lula estaria voltando à cena do crime, e hoje contenta-se em apenas tentar garantir a própria permanência no mesmo local.
9 – Lulinha — O filho do presidente está enrolado até o pescoço com o escândalo do rombo no INSS. De suposto tratador de animais a multimilionário, mora em um condomínio de luxo em Madri equipado com piscinas, spa e sauna.
8 – “Careca do INSS” — O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, tornou-se um enorme calcanhar de Aquiles para Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha). Investigações da Polícia Federal e depoimentos apontam o filho do presidente como suspeito de tráfico de influência e possível “sócio oculto” nos esquemas do lobista.
7 – Caiado — Frequente crítico da postura federal, acusa o governo de brandura e complacência no combate ao crime organizado, defendendo o endurecimento das leis e o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas.
6 – Zema — Adota como principal bandeira o combate frontal ao petismo, declarando abertamente que apoiará qualquer candidato ou frente unificada que se oponha ao PT nas disputas eleitorais.
5 – Vorcaro — O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro — com seus desdobramentos em investigações, vazamentos de mensagens, reuniões e festas — gera um desgaste político imenso e fornece munição constante para a oposição fustigar o Palácio do Planalto.
4 – Moraes — As crises e turbulências em torno do ministro Alexandre de Moraes consolidaram-se como um evidente “ativo tóxico” para a imagem do governo federal, gerando forte pressão nos bastidores e repercussão direta no cenário eleitoral.
3 – Janja — Acumula uma bola fora atrás da outra: viagens dispendiosas com o presidente, compras em lojas de grife, estadias em hotéis de luxo, postura pública inadequada para uma primeira-dama, dancinha durante as enchentes no Rio Grande do Sul e declarações infelizes sobre Santa Catarina. Só perde para o próprio marido no ranking de “pior cabo eleitoral”.
2 – O próprio Lula — Sim, o maior adversário de Lula é ele mesmo. Transformado em um político envelhecido pelo peso dos discursos repetidos à exaustão há 20 anos, cada vez que pega o microfone, parece mais perder do que ganhar votos. Isolado em plateias controladas e simpáticas, escorrega nas próprias palavras. Vale citar cinco pérolas recentes:
- “Traficantes são vítimas dos usuários de drogas.” (Uma inversão bizarra que transformou, na lógica presidencial, o consumidor de maconha no verdadeiro culpado pela desgraça do traficante).
- “A política está muito apodrecida no Brasil.” (Uma autocrítica involuntária e contundente que gerou enorme mal-estar até entre os mais fiéis aliados do sistema).
- “A sociedade não pode ficar assistindo a esse denuncismo.” (Esquece o petista que sua própria legenda nasceu, cresceu e chegou ao poder justamente alimentada pelo denuncismo).
- “Quem não quiser entender o que é arte, dane-se.” (Frase arrogante e áspera disparada contra o setor conservador, no melhor estilo “arte que não acrescenta nada”).
- “A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa…” (Se, após quase duas décadas de comando do país, o governo ainda precisa “mudar muita coisa”, a própria frase confessa o fracasso retumbante do projeto petista).
1 – Flávio Bolsonaro — O principal adversário e o nome da virada. Jovem, herdeiro político do pai visto por seus eleitores como perseguido do sistema, Flávio demonstra excelente articulação, rebate sem piedade as aberrações do atual governo e conquistou de vez o campo bolsonarista. Mais do que isso: furou a bolha, avança com força no eleitorado de centro e cresce de forma consistente nas pesquisas de intenção de voto, ao contrário de seu principal oponente, que derrete. Num eventual segundo turno, aglutinará naturalmente os outros candidatos à presidência e todas as correntes oposicionistas rumo à vitória.

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra






