Agência intensificou o monitoramento após aumento de apreensões e lançamentos voltados ao público brasileiro
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização contra o mercado paralelo de canetas emagrecedoras e vetou, na última terça-feira (5), a importação e comercialização do Slimex. O produto, fabricado no Paraguai pelo laboratório Eticos, é uma versão da tirzepatida — mesmo princípio ativo do medicamento Mounjaro. Com a decisão, nenhum emagrecedor registrado pela agência reguladora paraguaia (Dinavisa) tem permissão para entrar no território brasileiro, seja para venda ou uso pessoal.
A ofensiva da agência ocorre no momento em que o mercado paraguaio expande seus lançamentos com foco em consumidores e influenciadores digitais brasileiros. Além do Slimex, outros produtos como o Tirzedral e o ReduFast também foram alvo de restrições recentes. A Anvisa justifica o bloqueio rigoroso citando o aumento do mercado irregular, com medicamentos sendo transportados sem controle de temperatura ou higiene, o que compromete a segurança e a eficácia das substâncias.
As medidas determinam a apreensão imediata das unidades localizadas e proíbem qualquer forma de divulgação em veículos de comunicação ou redes sociais. Segundo o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a circulação desses itens ultrapassou o limite do consumo pessoal, configurando revenda clandestina. Dados da Receita Federal reforçam o cenário de crescimento: em 2025, foram apreendidas 32,8 mil unidades de emagrecedores, um salto expressivo em comparação às 2.700 registradas no ano anterior.
O cerco da agência também se estende às farmácias de manipulação nacionais. A Anvisa avalia novas regras para o setor em meio a investigações da Polícia Federal sobre a fabricação de emagrecedores em larga escala e sem o devido controle de qualidade. Um acordo entre a agência e a PF prevê a análise laboratorial dos produtos apreendidos para identificar possíveis contaminações ou falsificações, visando proteger a saúde pública diante da explosão do consumo desses medicamentos para fins estéticos.
Elder Boff com TN On-line








