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Santa Helena, 58 anos de emancipação e mais de um século de história

O vapor Santo Antônio atracado no Rio Paraná em SH, pronto para seguir viagem para Foz do Iguaçu (Foto: Arquivo histórico Câmara de Vereadores)

Não tem como falar dos 58 anos que são comemorados hoje, 26 de maio de 2025, sem retroceder outros tantos anos da história local.

Antes da década de 1920 chegavam as primeiras famílias pelo então Rio Paraná que depois viria a se transformar no Lago de Itaipu. Berço de nossa civilização, Santa Helena velha recebia as primeiras famílias.

Mas, há de se rebobinar o tempo à base de algumas centenas de anos. Em Santa Helena, conforme o Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos, pelo menos 18 destes foram detectados com artefatos associados à tradição tupi guarani, o que sugere que a região foi intensamente habitada por guaranis e outros grupos indígenas, muito antes dos colonos.

Peões no início do século passado (Arquivo Histórico M. Nacional)

Sempre tomando-se por base os rios, onde as comunas fincavam pé, destaque paras as regiões ribeirinhas aos rios São Vicente Chico, Dois Irmãos e São Francisco Falso.

Assim, a partir de meados do século XIX, a colonização do oeste do Paraná foi baseada na exploração da madeira e da erva-mate. Esse trabalho era realizado principalmente por estrangeiros oriundos da Argentina e Paraguai, denominados de peões ou mensus.

Essa forma de exploração era chamada de “obrages”. Apoiando-se na ausência virtual de controles fronteiriços e de núcleos habitacionais significativos, as “obrages” eram baseadas numa intensa exploração desses trabalhadores. Dentre os vários empresários donos de “obrages”, ganhou destaque a figura de Domingos Barthe, imigrante francês radicado na Argentina desde a década de 1860.

Domingos Barth (Reprodução)

Santa Helena era a sede dos empreendimentos de Barthe em terras brasileiras, sendo nomeada justamente “Central Barthe”. Conectada por caminhos e trilhas aos diversos pontos de exploração madeireira e ervateira, a Central Barthe também operava portos na margem esquerda do rio Paraná, a partir dos quais eram exportadas as cargas.

Fundado em 1858, esse porto teria sido batizado de Santa Helena devido à devoção de Domingos Barthe por essa santa. O contexto econômico aproveitado pelos donos de “obrages” só passaria por alterações significativas a partir da criação de colônias militares brasileiras às margens do rio Paraná e Iguaçu, durante os últimos anos do século XIX e primeiras décadas do XX.

De acordo com algumas fontes, o porto e a “Central Barthes” se mantiveram em funcionamento até a década de 1930.

Com o declínio progressivo da exploração da erva-mate ao longo da primeira metade do século XX, diversos problemas econômicos se abateram sobre as “obrages” enquanto modelo de negócio.

Ponte queimada pela Coluna Prestes (Arquivo PMSH)

Para além desses problemas econômicos e administrativos das “obrages”, a desestruturação das operações da empresa de Domingos Barthe também foi impulsionada pela passagem da Coluna Prestes pelo oeste paranaense, entre os anos de 1924 e 1925.

Um dos episódios que simbolizam a tensão entre os tenentistas e os capatazes e administradores de “obrages” foi a destruição da ponte, localizada sobre o rio São Francisco Falso, a qual havia sido construída pela empresa de Domingos Barthe.

A chegada de colonos gaúchos e catarinenses à região também dataria da década de 1920, constituindo um núcleo pequeno denominado Santa Helena Velha, nas proximidades do Rio Paraná.

O começo da mecanização no final da década de 1960 (Ilustração: Museu do Trator)

Esses colonos chegavam principalmente através das Colonizadoras Alegretti e Meyer, Annes & Cia. Essas empresas colonizadoras recebiam incentivos do governo para trazer famílias que viessem morar na região.

Os principais atrativos para esses colonos eram as terras férteis e de baixo preço existentes.

Portal dos Pioneiros em Santa Helena Velha (Foto: Correio do Lago)

Em sua maioria eram descendentes de italianos, alemães e poloneses, e, de início, se estabeleceram em pequenas propriedades.

Em Santa Helena Velha, no portal, um memorial a esses pioneiros, a maioria pertencentes às seguintes famílias: Ferri, Prati, Gallo, Furlanetto, Tafarell, Thomé, Bertoncini, Fantinel, Bortolini, Noro, Cristófoli, Basso, Federizzi, Galeano, Paredes, Nadai, Nichetti, Fochezatto, Martinez, Agostini, Cattani, Chielli, Zanetti, Coppini, Colombelli, Pedretti e Castelli.

Começa Santa Helena “Nova”

Algumas décadas mais tarde, já nos anos 1950, a empresa Imobiliária Agrícola Madalozzo Ltda. adquiriu parte das terras que outrora pertenceram a Domingos Barthe, parte de um processo mais amplo de colonização ocorrido em todo o Oeste e Norte do Paraná nesse período.

Contudo, a empresa não conseguiu convencer os moradores de Santa Helena Velha a venderem suas terras, o que a obrigou a constituir o núcleo urbano em área cerca de 11 quilômetros para norte, atual sede do município.

Boiada na Avenida Brasil na década de 1960, ao fundo, construção do Hotel Simioni (Arquivo PMSH)

Em virtude do estabelecimento do núcleo urbano, Santa Helena cresceu de forma rápida já em sua primeira década de existência, sendo posteriormente transformada em distrito do município de Medianeira.

Em 1967 Santa Helena foi emancipada, abarcando terras antes pertencentes tanto ao já citado município de Medianeira quanto Marechal Cândido Rondon. O primeiro prefeito do novo município foi Arnaldo Weissheimer, sendo Paulo Sinval Prates o primeiro presidente da Câmara de Vereadores.

Depois disso, mais uma guinada num giro de 360 graus com a chegada da Itaipu Binacional, mas… daí em diante, você, provavelmente já conhece a história…

Elder Boff/Fonte Extra (com inf e Bibliografia consultada CHMYZ, Igor “Terceiro Relatório das Pesquisas Realizadas na Área de Itaipu (1977-78)”. Projeto Arqueológico Itaipu. Curitiba, 1978. Pp. 119 e Colodel, Jose Augusto. Obrages e Companhias Colonizadoras: Santa Helena na História do Oeste Paranaense até 1960.Santa Helena/PR: Prefeitura Municipal,1988.)

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