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Saúde pública ou privada: dedicação e sensibilidade**

(Ilustração: manifestoagil.com.br)

Por Elder Boff*

Depois que a equipe da saúde em Santa Helena, com a parceria de outros setores do poder público e da iniciativa privada, desenvolveu uma excepcional campanha de cobertura vacinal contra a poliomielite, rendo, neste espaço, uma homenagem à dedicação e à sensibilidade dos que se esforçam em favor dos outros, mesmo sem ter uma recompensa visível e imediata.

Meio ano junto com várias pessoas que gostam de gente, que atendem gente e que se dedicam a aliviar o sofrimento das famílias diante dum momento patológico. Gosto muito de observar o comportamento dos que lidam com a sensibilidade dos outros. Nem tudo é uma maravilha, algo poderia ser melhor, mas às vezes falta a reciclagem, o treinamento, o preparo para determinadas funções que nem mesmo as próprias pessoas, postas para tal, sonharam um dia estar.

Dentre alguns dos livretos que já vi sobre comportamento em vendas, um deles me chamou atenção sobre a explicação acerca de como considerar um profissional proativo.

Isso pode ser traduzido para a saúde, como em qualquer outro segmento de atendimento direto ao público:

ATENÇÃO para observar detalhes.

SENSIBILIDADE para perceber o que se passa no íntimo do usuário.

COMPROMISSO com o bem-estar do paciente.

OUSADIA para romper os limites em prol do cidadão, sem adentrar na ilegalidade.

BOM SENSO para discernir qual é esse limite. O que pode e o que não pode ser feito, o que deve e o que não deve ser feito.

INICIATIVA para agir instantaneamente.

Muitas vezes nos preocupamos com as grandes coisas e esquecemos que tudo é formado por detalhes. O conjunto dos detalhes é que leva às grandes realizações. Na área de saúde os problemas são individualizados. Cada um tem um caso para relatar, uma história na qual está fixado.

O grande desafio para quem lida com público e notadamente numa das áreas mais sensíveis que é a saúde pública, é a sensibilidade. Perceber o que está incomodando o outro é imprescindível.

Se não houver comprometimento na busca da resolução dos problemas que se apresentam da parte de dentro do balcão ou do consultório, o que vai acontecer é um simples comércio de saúde, que não serve em hipótese alguma ao setor público.

Ousar é tomar decisão de fazer algo, diminuindo o risco, aliviando a dor. O clínico geral, por exemplo, que ainda sobrevive no interior e que está cada vez mais escasso nas grandes cidades, dado à necessidade da especialização para a própria sobrevivência profissional, precisa ousar, pois nem sempre repassa para o especialista, a continuidade dos procedimentos com o paciente. Nem sempre há condição estrutural e até financeira para tal.

Intimamente ligado ao tópico anterior, o bom senso deve caminhar par e passo com a ousadia, ou ao contrário. Esta qualidade é irrefutável na lida com saúde.

Sem o espírito da iniciativa, ninguém se atreva a trabalhar com saúde. Constantemente, desde a zeladora até o secretário, passando por atendentes, motoristas, profissionais técnicos ou de nível superior, precisam tomar decisões instantâneas que podem significar a continuidade da vida ou não.

(** Artigo escrito em junho de 2007, publicado no C. Lago há exatos 19 anos. Mas, é atual, não?)





* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra

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