Como foi gerido o maior escândalo financeiro do Brasil
O escândalo do Banco Master consolidou-se como uma das maiores fraudes financeiras e crises de influência da história do país, combinando uma engenharia de captação predatória, maquiagem balanceteira e um forte lobby nos altos escalões dos Três Poderes, está concentrada nesta terça-feira (15) no STF, Supremo Tribunal Federal.
Pela primeira vez em 132 anos do STF, um de seus membros está prestes a ter autorizada investigação sobre si. Vai depender do resultado da votação do plenário da Corte, que aparentemente está bem dividida.
E esta crise ganhou proporções históricas ao atingir o Supremo Tribunal Federal (STF), culminando em plenário extraordinário para julgar a conduta e as relações de ministros com o controlador do banco, Daniel Vorcaro.
Transmissão
Através da TV Justiça, Fonte Extra Transmitirá a sessão durante o tempo em que ela perdurará, se confirmada a sua realização a partir de logo mais às 10h. A matéria ficará em destaque com a manchete: Transmissão ao vivo da sessão histórica do STF que decide por investigar ou não, Alexandre de Moraes.
Não somente o Brasil, mas o mundo está de olho no que vai acontecer hoje e a grande responsabilidade da condução de tudo isso está nas mãos de um ex-morador de Toledo, ministro Edson Fachin.
Como nasceu toda essa engrenagem do Master?
A gênese da fraude esteve na estratégia de crescimento acelerado e insustentável da instituição. O Master construiu uma carteira bilionária emitindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que ofereciam taxas de rendimento absurdamente acima do mercado. Para atrair pequenos investidores e fundos estaduais, a instituição utilizou como chamariz a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), fazendo com que o risco sistêmico da operação fosse repassado indiretamente ao próprio sistema financeiro nacional.
O caminho do dinheiro começava no aporte dos investidores, mas tomava um rumo totalmente ilícito através de triangulações e empresas de fachada. As investigações da Polícia Federal revelaram que a instituição operava uma “linha de produção” de contratos, planilhas e procurações falsas para simular operações financeiras e conceder empréstimos fictícios. Em vez de lastrear os pagamentos prometidos, os recursos eram canalizados para fundos de investimento sem liquidez geridos por empresas parceiras, comprando participações em companhias endividadas e bens imobiliários.
Para manter a estrutura inflada sem sofrer intervenções regulatórias precoces, os valores drenados do banco alimentaram um sofisticado esquema de tráfico de influência e blindagem. O rastro do dinheiro irrigou contratos milionários de advocacia, lobby político, repasses para financiamento de projetos audiovisuais e aportes a políticos de diferentes espectros partidários. A influência chegou a incluir o monitoramento clandestino de opositores e autoridades para impedir o avanço de auditorias técnicas.
O desfecho do esquema começou a ruir com operações ostensivas da PF e ordens de liquidação que escancararam o rombo bilionário herdado pelo FGC. O ápice das revelações deu-se com a apreensão e a perícia nos celulares de Daniel Vorcaro, cujas trocas de mensagens e pagamentos revelaram um canal direto com membros do Judiciário e da alta política. Esse fluxo de favores e vazamentos transformou o caso de uma mera falência bancária em um terremoto político-institucional.
Elder Boff/FE






