A conta de luz dos paranaenses acaba de subir mais de 20%. Como noticiamos aqui no Fonte Extra dias atrás, a Aneel aprovou no dia 23 de junho a Revisão Tarifária Periódica da Copel, com efeito médio de 20,51% para os consumidores do estado, com vigência a partir de 24 de junho. Agora, um ranking divulgado pela própria agência reguladora em abril joga mais lenha na fogueira: a Copel aparece na 27ª posição entre as 33 maiores distribuidoras de energia do Brasil em qualidade de serviço, justamente o critério que deveria justificar qualquer reajuste.
O levantamento usa o indicador Desempenho Global de Continuidade (DGC), que considera tanto a duração quanto a frequência das interrupções no fornecimento. Quanto menor o índice, melhor o serviço. Segundo os dados da Aneel, cada unidade consumidora no Paraná ficou, em média, 7,17 horas sem energia ao longo de 2025. A meta estabelecida pela própria agência para a Copel era de 8,15 horas anuais por consumidor, e a empresa cumpriu esse limite. Ainda assim, no modelo assimétrico do ranking, que compara o desempenho de cada distribuidora em relação à própria meta, a Copel registrou índice DGC de 0,84 e terminou empatada na 27ª colocação com a Light Sesa, do Rio de Janeiro.
Veja como ficou a classificação completa entre as distribuidoras de grande porte:
1º — CPFL Santa Cruz — 0,54
2º — Neoenergia Cosern — 0,56
3º — Equatorial PA — 0,59
4º — CPFL Piratininga — 0,60
5º — Energisa PB — 0,63
6º — Energisa RO — 0,64
7º — CPFL Paulista — 0,65
8º — Energisa Sul Sudeste — 0,69
8º — Energisa TO — 0,69
8º — Neoenergia Coelba — 0,69
11º — EDP ES — 0,70
11º — Energisa Minas Rio — 0,70
11º — Energisa MT — 0,70
11º — Equatorial AL — 0,70
11º — Neoenergia Elektro — 0,70
16º — EDP SP — 0,71
16º — Equatorial PI — 0,71
18º — Amazonas Energia — 0,74
18º — Energisa SE — 0,74
20º — RGE — 0,75
21º — Neoenergia Pernambuco — 0,76
22º — Energisa MS — 0,80
23º — Enel CE — 0,82
23º — Enel RJ — 0,82
25º — Celesc — 0,83
25º — Neoenergia Brasília — 0,83
27º — COPEL — 0,84
27º — Light Sesa — 0,84
29º — Equatorial MA — 0,86
30º — Enel SP — 0,90
31º — Cemig — 0,91
32º — Equatorial GO — 0,96
33º — Equatorial CEEE — 0,98
O resultado ruim no ranking ocorre ao mesmo tempo em que crescem as reclamações de produtores rurais paranaenses. De acordo com a Gazeta do Paraná, o tema foi discutido em audiência pública realizada pela Aneel em Curitiba no dia 29 de abril, e voltou à pauta em 5 de maio, durante reunião da Comissão de Infraestrutura do Senado em Brasília, convocada pelo senador Sergio Moro. Entidades como o Sistema FAEP, a Ocepar e a Fiep levaram relatos de prejuízos recorrentes provocados por quedas de energia, oscilações de tensão e demora no restabelecimento do serviço.
Segundo a superintendente adjunta de Fiscalização Técnica da Aneel, Ana Claudia Cirino dos Santos, as reclamações contra a Copel cresceram na contramão do cenário nacional: houve aumento de 55% nas queixas registradas na plataforma consumidor.gov entre 2024 e 2025.
Os impactos práticos são graves, especialmente na produção animal. Sem energia, aviários param de funcionar, peixes morrem pela falta de oxigenação da água e o leite pode ser perdido por impossibilidade de refrigeração. O presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar), Arnaldo Cortez, relatou na audiência em Curitiba que uma interrupção de seis horas em sua granja de ovos em Cruzeiro do Sul atrasou o processamento e a entrega dos produtos a supermercados da região, gerando multa e prejuízo direto no custo de produção. Só na região de Ponta Grossa, segundo a Fiep, 30 indústrias registraram juntas cerca de 1,2 mil horas de interrupção ao longo de 2025.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, resumiu a situação: “Os produtores convivem diariamente com quedas frequentes de energia, demora excessiva no religamento, queima de equipamentos e prejuízos financeiros. Temos centenas de relatos e processos envolvendo perdas no meio rural.” E foi igualmente direto sobre o reajuste aprovado: confirmar o aumento equivaleria a premiar um serviço ruim.
No Senado, Sergio Moro reconheceu o aumento de investimentos da empresa, mas afirmou que os resultados ainda não chegam à população paranaense. O senador solicitou que a Copel apresente um plano de ação para reduzir as quedas e que a Aneel apresente um plano de fiscalização no prazo de 30 dias.
A Copel contesta a leitura do ranking. Segundo a empresa, o indicador mais relevante seria o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), que mede diretamente o tempo total sem energia sem a comparação assimétrica com metas. Por esse critério, a companhia afirma que subiria para a 12ª posição entre as distribuidoras do país. Na comparação entre estados, segundo a Copel, o Paraná apareceria como o quarto com menor tempo médio de interrupção, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Norte.
O consumidor paranaense, no entanto, termina esse ciclo pagando mais caro por um serviço que o próprio regulador classifica entre os piores do país.







